A ciência forense e o combate ao comércio ilegal de animais selvagens foram o foco do Earth Photo 2026 Awards, onde a fotojornalista Britta Jaschinski conquistou o primeiro lugar por seu portfólio impactante.
A fotógrafa alemã radicada no Reino Unido é uma vencedora de vários prêmios e adiciona o prêmio Earth Photo ao Grande Prêmio de Fotógrafa Ambiental do Ano que recebeu em abril da Fundação Príncipe Alberto II de Mônaco.
A série mais recente de Jaschinski foi fotografada em todo o Reino Unido e na Europa, com unidades de combate a crimes contra a vida selvagem utilizando técnicas novas e antigas para enfrentar o flagelo do tráfico de animais.
Os objetos encontrados incluem uma cabeça de leão empalhada, um abridor de garrafas feito com a pata de um leão, inúmeras peles de répteis, um pé de elefante e marfim, entre outros vestígios. O olhar implacável de Jaschinski destaca como esses animais majestosos foram degradados e transformados em mercadorias, e como os investigadores trabalham incansavelmente para encontrar os culpados.
A fotografia mais impactante, que mostra uma tartaruga-verde morta, parece uma cena de um recife de coral fluorescente. Mas, olhando mais de perto, é possível ver a marca de uma mão no casco da tartaruga, iluminada por um corante em pó especial aplicado por um perito forense. A tartaruga poderia estar em seu habitat natural, mas não está: é mais uma vítima.
“Ver esse nível de conhecimento forense aplicado a uma tartaruga foi inesperado e extraordinário. Observar a equipe trabalhando foi quase como presenciar mágica”, disse Jaschinski à CNN por e-mail.
“O que mais me marcou foi a sensação de esperança, também porque isso pode servir como um fator dissuasor. Por muito tempo, as redes criminosas organizadas encararam o tráfico de animais selvagens como uma atividade de baixo risco e alto retorno, com baixas taxas de condenação e penas relativamente leves. À medida que a ciência forense se torna mais sofisticada, essa equação está começando a mudar.”
A imagem destaca o trabalho de Louise Gibson e Alexandra Thomas, que lideram o Laboratório de Crimes contra a Vida Selvagem no Instituto de Zoologia, a divisão de pesquisa da Sociedade Zoológica de Londres.
Recuperação da memória
O laboratório afirma que suas pesquisas demonstraram que alguns pós de nova geração conseguem recuperar impressões digitais de alta qualidade em 70% das amostras de animais selvagens testadas, e que é possível recuperar o DNA deixado por indivíduos que manusearam as amostras. O laboratório compartilha suas pesquisas com autoridades, incluindo a Polícia Metropolitana da Grande Londres e forças de fronteira em 40 países.
Jaschinski é uma defensora incansável do combate ao tráfico de animais selvagens. Ela cofundou a Photographers Against Wildlife Crime em 2018 e, juntamente com Keith Wilson e Arturo de Frías, criou o The Evidence Project, um grupo de fotógrafos, incluindo Brent Stirton, Ami Vitale e o falecido Sebastião Salgado, que contribuíram com imagens para um livro sobre o impacto da humanidade no mundo natural.
“O contrabando de animais selvagens é regulamentado internacionalmente há décadas por meio de acordos como a CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), mas somente nos últimos anos começou a ser tratado com a seriedade que merece: como uma forma de crime organizado transnacional. Essa mudança tem sido encorajadora”, disse Jaschinski.
A imagem da tartaruga marinha feita por Jaschinski foi anteriormente eleita uma das melhores fotografias de 2025 pela revista TIME.
O prêmio Earth Photo, organizado pela Royal Geographical Society, pela consultoria de arte Parker Harris e pela instituição de caridade Photoworks, também revelou os vencedores em outras sete categorias.
Outras premiações
Na categoria Mudanças Climáticas, Payal Kakkar, de Nova Delhi, ganhou o primeiro prêmio com “Vidas de Extração”, um ensaio fotográfico sobre um movimento de resistência liderado pela comunidade indígena Khairwar, que luta contra o desapossamento de terras e a mineração de carvão em Majhauli Paath, Singrauli, Índia.
Natalya Saprunova, natural da Rússia e residente em Paris, ganhou o prêmio New Scientist Editors Award por sua documentação sobre o degelo do permafrost e a erosão costeira nos Territórios do Noroeste do Canadá e seu impacto sobre o povo Inuvialuit.
A Royal Geographical Society, em Londres, está apresentando uma exposição dos vencedores do prêmio até 24 de julho, antes de levar seus trabalhos em uma turnê pelo Reino Unido durante o mês de novembro.









