Uma importadora israelense de grãos afirmou que não receberá a carga de um navio supostamente carregado com grãos ucranianos roubados, após a embarcação se tornar o foco de uma grande disputa diplomática entre os dois países.
A Associação Israelense de Importadores de Grãos afirmou que a carga – que Kiev alega ter sido roubada pela Rússia de territórios ucranianos ocupados e que estava programada para ser descarregada no porto de Haifa – precisaria ser encaminhada para outro local.
“O fornecedor russo do carregamento de trigo terá que encontrar um destino alternativo para o seu descarte”, afirmou a associação em comunicado.
Os dados de rastreamento da MarineTraffic mostraram o navio graneleiro Panormitis deixando o porto de Haifa na tarde de quarta-feira (29), embora não estivesse imediatamente claro para onde o navio poderia estar se dirigindo.
A decisão surge na sequência de dias de escalada das tensões entre a Ucrânia e Israel, após a chegada do Panormitis à Baía de Haifa no último fim de semana.
Na terça-feira (28), o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky acusou Israel de permitir conscientemente o descarregamento de navios anteriores de grãos supostamente roubados, e alertou para possíveis sanções contra os envolvidos caso a prática continue.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel rebateu, alegando que a Ucrânia havia atrasado o envio da documentação e das provas formais, antes de acrescentar posteriormente que o pedido estava sob análise.
Um porta-voz da associação de importadores de grãos disse à CNN que a empresa importadora, Zenziper, desconhecia quaisquer irregularidades relativas ao carregamento e que tomou conhecimento das alegações através de reportagens da mídia.
“A empresa buscou orientação do governo, mas, sem uma diretriz clara, decidiu rejeitar a remessa por conta própria, apesar do risco de ação judicial por parte do fornecedor”, disse o porta-voz.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, saudou o que chamou de um desenvolvimento bem-vindo e disse que isso envia um sinal claro para outras empresas de transporte marítimo e governos para que se mantenham longe do grão ucraniano roubado.
O Ministério das Relações Exteriores de Israel pareceu se distanciar de qualquer sugestão de que teria cedido à pressão, afirmando, em vez disso, que o pedido mais recente da Ucrânia por assistência jurídica “continha lacunas factuais significativas e não incluía nenhuma prova que corroborasse [o roubo dos grãos]”.
Desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, há mais de quatro anos, Kiev tem acusado consistentemente Moscou de saquear sistematicamente seus recursos agrícolas – cuja verdadeira origem, segundo o país, fica oculta quando os grãos roubados são vendidos nos mercados mundiais.
Segundo uma reportagem investigativa do jornal israelense Haaretz, pelo menos quatro carregamentos de grãos ilegais atracaram em Israel este ano. A reportagem acrescenta que essas entregas vêm ocorrendo desde 2023, totalizando mais de 30.
A União Europeia também se manifestou no início desta semana, solicitando informações adicionais às autoridades israelenses sobre as alegadas importações e alertando que poderá impor sanções aos envolvidos.
“Condenamos todas as ações que ajudam a financiar o esforço de guerra ilegal da Rússia e a contornar as sanções da UE, e permanecemos prontos para combater tais ações, incluindo indivíduos e entidades em países terceiros, se necessário”, disse um porta-voz da UE à CNN.









