A atriz Ju Colombo, 60, intérprete de Silvana em “Três Graças”, recordou o luto após a morte do filho caçula, Lucas, aos 21 anos, em abril de 2025, na vítima de um mal súbito, na Califórnia. O jovem convivia com problema cardíaco desde a infância.
Ao podcast “Vozes do Retiro”, do Retiro dos Artistas, ela conta que a filosofia budista a ajudou a atravessar essa fase. “Foi muito determinante viver isso com uma base filosófica que me trouxesse a constatação de que a morte não é um fim. A morte é uma outra etapa, em que você sai desse personagem, larga esse corpo, e a vida fica presente de outra forma”, começou.
“Ter olhado dessa maneira para o processo do Lucas foi determinante, porque eu não conseguia conceber a possibilidade de a vida dele ter acabado. E, quando eu mergulhei para estudar isso dentro da filosofia budista, que é a minha prática, compreender vida e morte como partes integrantes do que é vida… Isso me trouxe uma condição interna de seguir com a vida do Lucas dentro de mim. E isso faz muita diferença”, continuou.
Na sequência, a atriz relembrou como foi a última conversa com o filho. “Já era madrugada de sexta-feira. E lá ainda era noite, né. Era confuso, eram quatro horas de diferença na época. A gente estava conversando, e conversou muito. Eu estava interessada porque ele estava com vários planos. Só que ele estava com uma tosse esquisita. E eu já tinha falado para ele: “Lucas, vai ao médico. Dá uma olhada. Vamos ver se é do coração, se é uma tosse do coração. A sua médica aqui já tinha falado que podia ser que, em algum momento, você tivesse que operar. Vamos nos preparar para isso, mas vai fazer os exames”.
Segundo Ju, ele costumava dizer: “Mamãe, eu vou, vou fazer”. “Eu estava trocando muito com ele no sentido de ele entender que cada desafio era uma oportunidade de expansão muito grande. Então eu falava: “Filho, aproveita. Faz sua prática budista e faz determinações de desenvolvimento, dessas coisas do projeto que você está lidando aí”. E ele falava para mim: “Mamãe, pode deixar. Eu agora vou sozinho e vou com tudo. Eu vou para a minha vida”.
Logo pela manha, Colombo recebeu uma ligação com a notícia. “Quando deu sete horas, toca meu telefone. Eu olho e está Letícia, a amiga dele, que estuda lá também. Eu pensei: “Letícia me ligando, que coisa estranha. Aconteceu alguma coisa com o Lucas”. Aí eu atendo, e aparece um outro amigo dele em vídeo. Eu olhava atrás e não era um quarto, era uma coisa de hospital. É muito louco, porque eu tenho alguns flashes. Eu lembro de ver que era um hospital, eu lembro do rosto desse menino, mas, para mim, era como se fosse uma criança falando comigo”, recordou.
“E ele disse: “Tia, o Lucas passou mal. Ele teve um mal súbito. A gente teve que trazer ele para o hospital. E ele morreu”. Quando ele falou isso, a sensação que eu tenho é que eu não ouvi. Eu só via que era uma criança dizendo uma coisa importante, e eu falava: “Chama alguém, chama alguém”. Eu queria dizer: “Chama um adulto, um adulto”. E aí eu tive um surto. Eu gritei, desliguei, liguei para o meu filho, que na época morava do lado da minha casa. Em fração de segundos, ele estava lá comigo. E aí eu desfaleci”, concluiu.









