O Palácio do Planalto avalia que Javier Milei atua como uma figura submissa a Donald Trump nas críticas dirigidas a Luiz Inácio Lula da Silva. A analista de política Isabel Mega afirmou que essa avaliação, segundo fontes da diplomacia brasileira, estabelece uma conexão direta entre a crise Brasil-Estados Unidos e o agravamento das tensões com a Argentina.
Segundo Mega, algumas fontes do Palácio do Planalto chegaram a afirmar que “o chefe de Milei seria Donald Trump”. “Para o Brasil, há uma relação em que Milei está atendendo aos interesses da Casa Branca, escalando a crise com o Brasil”, disse a analista durante o Live CNN desta quarta-feira (5).
A analista destacou que o Brasil caminhava para enviar novamente o embaixador Júlio Bitelli de volta para Buenos Aires. Contudo, Mega observou que as fontes ouvidas por ela eram cautelosas ao dizer sobre as condicionantes para que isso acontecesse.
“A principal condicionante era a manutenção da trégua, por isso que em nenhum momento cravamos que o embaixador iria voltar. Ele voltaria se a trégua fosse mantida. Milei continua, dia após dia, proferindo ataques ao governo Lula“, afirmou Mega.
Ela também observou que a crise tem forte relação com o calendário eleitoral brasileiro, a apenas dois meses das eleições, dado que as declarações de Milei contra o presidente Lula começaram na convenção do PL, ao lado de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação da analista, Lula também estaria se aproveitando politicamente da situação: “O mote da soberania é um dos pilares para a gente entender o que a campanha de Lula está pensando para usar isso a seu favor.”
Em meio ao aprofundamento do conflito diplomático, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações com Buenos Aires, mantendo-as apenas no patamar de encarregado de negócios.
“A embaixada continua funcionando normalmente, isso não afeta os trabalhos na embaixada, mas é uma simbologia importante na diplomacia porque manifesta um afastamento”, observou Mega.
Ela lembrou que, historicamente, os dois países mantiveram relações próximas mesmo em momentos de tensão. “O Brasil chegou a assumir temporariamente a embaixada argentina na Venezuela durante a escalada da crise venezuelana. A gente tinha uma proximidade, mesmo com o governo Milei.”
Guerra de vistos
Também durante o Live CNN desta quarta, o analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, revelou que o Departamento de Estado dos Estados Unidos estaria “muito irritado” com a política brasileira de concessão de vistos.
Segundo Martins apurou junto a fontes, atualmente, os vistos para diplomatas e funcionários do governo americano precisam ser aprovados diretamente pelo Palácio do Planalto. Desde então, três diplomatas americanos tiveram seus vistos negados.
“Segundo informações de fontes, esses vistos foram negados porque o Itamaraty tinha informações de que esses diplomatas pretendiam interferir de alguma forma no processo eleitoral brasileiro, questionando a lisura do processo”, afirmou Martins.









