• São Paulo x Boca Jrs: por que não teve semiautomático na Sul-Americana

      O segundo tempo de São Paulo x Boca Juniors, nesta terça-feira (15), no Morumbis, pela volta das quartas de final da Copa Sul-Americana, foi marcado por um lance polêmico que gerou a anulação de um gol do time brasileiro.

      Pouco depois de o Boca abrir o placar na casa tricolor, o São Paulo buscou o empate com um gol de Ryan Francisco, o que daria uma sobrevida ao time, que precisa da vitória para avançar. A arbitragem, no entanto, flagrou impedimento de Luciano no lance. Veja:

      A polêmica foi maior porque a Conmebol não utiliza a tecnologia do impedimento semiautomático, já em vigor no Brasileirão, nas fases anteriores à final tanto na Sul-Americana quanto na Libertadores, o que acaba gerando questionamentos.

      Na prática, o árbitro de vídeo (VAR) traçou a linha de impedimento manualmente, como acontecia até o primeiro semestre no futebol brasileiro.

      Por que não teve semiautomático no lance

      A tecnologia existe nos dois torneios continentais, mas a Conmebol optou por reservá-la apenas para as finais, não usando o recurso em nenhuma outra fase da competição.

      Desde 2024, tanto a decisão da Libertadores quanto a da Sul-Americana contam com o impedimento semiautomático (SAOT) e a tecnologia da linha do gol (GLT). O sistema também já foi usado na Recopa Sul-Americana.

      Isso significa que jogos de fase de grupos, oitavas, quartas e semifinais, como o confronto entre São Paulo e Boca Juniors, seguem sem o recurso, dependendo apenas do VAR tradicional e da análise visual dos árbitros assistentes.

      A explicação para essa limitação está, principalmente, em fatores de custo e logística, muito diferentes da realidade de um campeonato nacional disputado sempre nos mesmos estádios ao longo da temporada.

      Custo de instalação é o principal obstáculo

      O sistema de impedimento semiautomático exige uma estrutura pesada: cerca de 24 câmeras especializadas por estádio, sendo 14 dedicadas à linha do gol e 10 ao rastreamento de posições dos jogadores.

      Só essa instalação já soma custos relevantes. No Brasil, por exemplo, o Palmeiras pagou perto de US$ 100 mil (cerca de R$ 690 mil) para equipar a Arena Barueri, quando o Brasileirão adotou a tecnologia.

      Multiplicar esse investimento por dezenas de estádios espalhados por diferentes países da América do Sul, cada um com sua própria infraestrutura e operadoras de TV, torna o processo muito mais caro e complexo do que em um torneio nacional.

      Por isso, a Conmebol optou por concentrar o investimento apenas na praça única da final, decidida com antecedência, o que permite equipar um só estádio, com tempo hábil de testes, em vez de tentar cobrir uma chave inteira de mata-mata.

      Copa do Brasil mostra caminho oposto ao da Conmebol

      O contraste fica claro ao comparar com a Copa do Brasil, que estreou o impedimento semiautomático já nas quartas de final de 2026, etapa que reúne apenas oito equipes.

      Isso só foi possível porque todos os estádios dos clubes classificados já tinham a tecnologia instalada, graças à expansão anterior feita no Campeonato Brasileiro, que rodou pela Série A a partir da 20ª rodada da competição nacional.

      Ou seja, a CBF conseguiu aproveitar uma estrutura já existente e testada ao longo do campeonato nacional, situação bem diferente da Conmebol, que lida com clubes de múltiplos países, cada um com seu próprio nível de investimento em tecnologia de estádio.

      Enquanto o cenário sul-americano não permitir uma cobertura ampla e uniforme de estádios, a tendência é que o impedimento semiautomático continue restrito às decisões da Libertadores e da Sul-Americana, como tem sido desde 2024.

      (Publicado por Luccas Oliveira)

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