• 10 novas exposições de arte para conferir em São Paulo


      Agosto traz uma leva de estreias ao circuito de arte de São Paulo. Ao longo do mês, museus, galerias e institutos inauguram individuais e coletivas com nomes como Joan Miró, Solange Pessoa, Ayrson Heráclito, Anna Maria Maiolino, Vânia Mignone e Luísa Matsushita. Algumas abrem nos primeiros dias, outras chegam só nas últimas semanas, caso da individual de Paula Siebra na Casa Iramaia. Do Itaú Cultural ao MIS, da Paulista aos Jardins, reunimos as novas mostras para o seu roteiro.

      Tecituras | Farol Santander

      Obra de Jessica Costa | Foto: Cortesia Zipper Galeria

      "Manto Inzila", de Alex Rocca, escultura de cerca de 2,30 metros em vidro, cerâmica e latão — Foto: Divulgação
      “Manto Inzila”, de Alex Rocca, escultura de cerca de 2,30 metros em vidro, cerâmica e latão — Foto: Divulgação

      Fio e tecido como matéria de arte: Tecituras reúne cerca de 30 obras têxteis de 30 artistas brasileiros e aproxima nomes históricos e contemporâneos que fizeram da trama um campo de experimentação. Passam pela mostra trabalhos de Ernesto Neto, Norberto Nicola, Genaro de Carvalho, Jessica Costa e Alex Rocca, entre outros. A curadoria é de Denise Mattar, com consultoria da artista plástica Eva Soban, no alto do Farol Santander, no centro.

      Rua João Brícola, 24, Centro • Até 18 de outubro • @farolsantander_sp

      Solange Pessoa: outras escalas | Itaú Cultural

      "Hammocks", 1999–2003, obra de Solange Pessoa — Foto: Chim Lam/Divulgação
      “Hammocks”, 1999–2003, obra de Solange Pessoa — Foto: Chim Lam/Divulgação

      Mineira de Ferros e com mais de 40 anos de trabalho, Solange Pessoa faz de materiais orgânicos e minerais o centro da pesquisa, do carvão e da argila ao urucum, ao jenipapo e à gordura. A individual no Itaú Cultural se estende por três andares e reúne 150 desenhos, um conjunto de filmes exibidos juntos pela primeira vez e a instalação Campos Peregrinos, desdobramento de obra mostrada em Glasgow em 2025. No primeiro andar estreia o filme inédito Desjardim, feito com o cineasta João Vargas Penna e o músico Lívio Tragtenberg. Curadoria de Franklin Espath Pedroso.

      Av. Paulista, 149, Bela Vista • De 4 de agosto a 1º de novembro • @itaucultural

      Miró: Mestre das Formas | MAB FAAP

      Obra "Mulher e cachorro diante da Lua", de Joan Miró | — Foto: Fundació Joan Miró, Barcelona / Successió Miró / AUTVIS, Brasil, 2026
      Obra “Mulher e cachorro diante da Lua”, de Joan Miró | — Foto: Fundació Joan Miró, Barcelona / Successió Miró / AUTVIS, Brasil, 2026

      O catalão Joan Miró chega ao MAB FAAP com mais de 100 trabalhos entre pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias, vindos de instituições europeias e coleções particulares. Sob curadoria do espanhol Jordi Clavero, o percurso se divide em cinco núcleos temáticos que acompanham momentos distintos da trajetória do artista, conhecido pela linguagem visual próxima do surrealismo. A seleção vai da pintura à tapeçaria e deixa ver como Miró construiu um vocabulário de signos que atravessa toda a obra.

      Rua Alagoas, 903, Higienópolis • De 7 de agosto a 12 de outubro • @mabfaap

      Ojú-Inú | Simões de Assis

      Obra "Ferro de Ogum com Xaxará", da série Xaxará, de Ayrson Heráclito — Foto: Divulgação
      Obra “Ferro de Ogum com Xaxará”, da série Xaxará, de Ayrson Heráclito — Foto: Divulgação

      Ojú-Inú significa “olho interno” em iorubá, expressão que o historiador da arte Rowland Abiodun usa para nomear a percepção estética e espiritual que orienta os artistas iorubás. É por essa chave que Ayrson Heráclito organiza cerca de 30 trabalhos entre esculturas, aquarelas, fotografias e vídeos, boa parte inéditos, atravessados pela cosmologia afro-brasileira e pelas referências rituais do candomblé que estruturam sua produção. A mostra reúne séries como “Juntó”, “Inventário”, “Black Atlantic” e “Oríkìs de Instrução”, esta com sala de vídeo dedicada, e tem texto crítico de Hélio Menezes. A individual acontece enquanto o artista integra a 61ª Bienal de Veneza, “In Minor Keys”, em cartaz até novembro.

      Alameda Lorena, 2050 A, Jardins • Até 12 de setembro • @simoesdeassis_

      Sem título, da série Na Noite, 2025, de Anna Maria Maiolino — Foto: Julia Thompson/Divulgação
      Sem título, da série Na Noite, 2025, de Anna Maria Maiolino — Foto: Julia Thompson/Divulgação

      Premiada com o Leão de Ouro pelo conjunto da obra na Bienal de Veneza de 2024, a ítalo-brasileira Anna Maria Maiolino reúne cerca de 25 obras inéditas na Sala 2 da galeria. O título vem da variedade de técnicas e materiais em jogo: desenhos a caneta permanente da série “Na Noite – No Escuro”, peças em cerâmica Raku, tinta acrílica sobre chapa de radiografia da série “Marcas na Transparência” e seis esculturas de vidro da série “Emanados”, apoiadas sobre estruturas de ferro. A curadoria tem texto crítico de Lotte Johnson, do Barbican Centre, em Londres.

      Rua Padre João Manuel, 755, Jardins • Até 19 de setembro • @galerialuisastrina

      O lado escuro da lua | Luisa Strina

      Kissinger, Allende, Kissinger, Kissinger, Allende (1985), de Alfredo Jaar — Foto: Cortesia do artista, Lisboa / © Alfredo Jaar
      Kissinger, Allende, Kissinger, Kissinger, Allende (1985), de Alfredo Jaar — Foto: Cortesia do artista, Lisboa / © Alfredo Jaar

      O chileno Alfredo Jaar volta a expor no Brasil depois de cinco anos e ocupa a Sala 1 da Luisa Strina com 48 obras feitas nos anos 1970 e 1980, sob a ditadura de Augusto Pinochet. O título vem de Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, álbum lançado meses antes do golpe de 1973 e que virou trilha obsessiva do artista até ele deixar o país. Estão na mostra a série September 11, 1973, sobre o bombardeio ao Palácio de La Moneda, o conjunto Buscando a Kissinger, que confronta o ex-secretário de Estado norte-americano com documentos desclassificados, e trabalhos de Studies on Happiness, sobre a promessa de prosperidade do modelo neoliberal imposto no período. O texto crítico é de Edward A. Vazquez. Presente na atual Bienal de Veneza, Jaar abre em seguida uma individual na Pinacoteca do Ceará.

      Rua Padre João Manuel, 755, Jardins • De 8 de agosto a 19 de setembro • @galerialuisastrina

      Vânia Mignone . Sem título, 2022 . acrílica e colagem sobre MDF . 270 x 220 cm — Foto: Filipe Berndt/Divulgação
      Vânia Mignone . Sem título, 2022 . acrílica e colagem sobre MDF . 270 x 220 cm — Foto: Filipe Berndt/Divulgação

      Para marcar 30 anos de parceria com a Casa Triângulo, Vânia Mignone reúne 17 pinturas inéditas em pequeno, médio e grande formato. A artista de Campinas construiu um dos vocabulários mais reconhecíveis da pintura brasileira: árvores, estradas, pássaros, torres e figuras humanas que funcionam menos como cena e mais como signos de estados interiores. As palavras que atravessam as telas, de “NOITE” a “PAÍS DO FUTURO”, entram como matéria emocional e alteram o modo de ver a imagem, em vez de explicá-la. Feitas em MDF e colagem, as pinturas ganham uma materialidade compacta, quase de pequeno teatro interior.

      Rua Estados Unidos, 1324, Jardins • De 11 de agosto a 19 de setembro • @casatriangulo

      Chão de Histórias | MIS

      Obra da série "Dobra do Tempo", 2024, de Ana Leal — Foto: Guilherme Pucci/ Divulgação
      Obra da série “Dobra do Tempo”, 2024, de Ana Leal — Foto: Guilherme Pucci/ Divulgação

      Em 2022, Ana Leal viajou pela primeira vez ao sertão pernambucano, região de origem da família paterna, e voltou com uma investigação sobre memória, paisagem e ancestralidade. Chão de Histórias reúne o resultado desse percurso em 21 obras que expandem a fotografia para a colagem, o vídeo, a renda renascença, a argila e arquivos de família. Selecionada pelo Programa Nova Fotografia do MIS, é a primeira individual da artista numa instituição museológica brasileira e mostra o projeto pela primeira vez em sua forma integral, com as séries “Dobra do Tempo”, “Encontro” e “Álbum de Família”, a videoprojeção “Aquilo que fica” e a intervenção textual “O chão também tem pele”. A concepção artística e expográfica é da própria Ana Leal, com acompanhamento de Sylvia Sanchez e texto crítico de Éder Chiodetto.

      Av. Europa, 158, Jardim Europa • De 11 de agosto a 20 de setembro • @mis_sp

      Tudo que eu sei, eu aprendi à noite | Cultura Artística

      Obra de Luísa Matsushita  — Foto: Erika Mayumi/Divulgação
      Obra de Luísa Matsushita — Foto: Erika Mayumi/Divulgação

      Antes de virar artista visual, Luísa Matsushita foi Lovefoxxx, vocalista da Cansei de Ser Sexy. É como pintora que ela inaugura o programa Aberto Solo e o novo espaço expositivo do Teatro Cultura Artística, com um conjunto de telas inéditas feitas a partir de memórias afetivas do centro de São Paulo e da noite do Baixo Augusta, onde viveu no início da trajetória. A ocupação se estende para o saguão do teatro, com uma instalação site-specific de 15 metros pensada em diálogo com a arquitetura do prédio. Na pintura dela, cor, gesto e humor transformam elementos do cotidiano em formas autônomas.

      Rua Nestor Pestana, 196, Consolação • De 15 de agosto a 27 de setembro • @teatroculturaartistica

      Pequeno mapa do tempo | Casa Iramaia

      Obra "Mulher deitada na rede", de Paula Siebra — Foto: Divulgação/Cortesia da artista e galeria Mendes Wood DM
      Obra “Mulher deitada na rede”, de Paula Siebra — Foto: Divulgação/Cortesia da artista e galeria Mendes Wood DM

      Nascida e radicada em Fortaleza, Paula Siebra pinta o tempo por outra régua. Em óleos de pequeno e médio porte, organiza o ano pelos ciclos do Ceará, a chuva, a festa, o vento e a seca, no lugar das estações do Hemisfério Norte. A pesquisa ganhou novas camadas depois de uma residência em Kyoto, em 2025, que aproximou seu trabalho da contemplação da natureza e do haicai. Primeira individual da artista na Casa Iramaia, a mostra é apresentada pela Mendes Wood DM.

      Rua Iramaia, 105, Jardins • De 25 de agosto a 24 de outubro • @mendeswooddm

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