Antes do boom dos filmes lésbicos em meados dos anos 2010 (impulsionado em parte por Azul É a Cor Mais Quente, de 2013), não era nada fácil achar o que assistir. Fora alguns cults como Eu, Eu Mesma e Irene... — não, calma, refiz: fora alguns cults como But I’m a Cheerleader (1999) e The Summer of Love (2004), além de outros desta lista, os filmes sáficos viviam confinados a produções de baixo orçamento ou a tramas de finais terrivelmente trágicos. Hoje, no entanto, há muito mais opções, e alguns dos melhores filmes sáficos estão entre os melhores filmes, ponto. Por isso, aqui vão oito das melhores histórias sáficas que já passaram pelas telas (se você quiser uma lista completa dos melhores filmes queer, também temos uma).
Não tem como ser melhor que Carol. Foi mal, mas não tem mesmo! As luvas, os olhares carregados, a fala “Que garota estranha você é… Caída do espaço”. Aquela cena de sexo. Carol foi o primeiro filme sáfico que vi com um final mais ou menos feliz, o que, em 2015, ainda era revolucionário. Depois desse, eu confiaria minha vida ao diretor Todd Haynes.
As sáficas não têm filmes engraçados o suficiente, ainda mais dramas de época. Esse gênero costuma se resumir a duas mulheres passando frio de espartilho e trocando olhares furtivos até uma delas morrer. Não em A Favorita, que é uma delícia barulhenta, marota e deliciosamente desvairada. Não sei se Anne, a rainha da Inglaterra (aqui vivida por Olivia Colman), realmente se envolvia com duas primas rivais na vida real, mas também não dá pra dizer que não.
Quando The Watermelon Woman, autoficção de Cheryl Dunye, estreou em 1996 — o primeiro longa lançado comercialmente dirigido por uma lésbica negra, sobre uma atendente de locadora que tenta descobrir a identidade de uma atriz negra não creditada —, recebeu uma série de reclamações por causa de uma cena de sexo explícita entre as duas protagonistas, Cheryl e Diana. Em outras palavras: o público não aguentou o calor! Inventivo e de fato pioneiro, vale muito a pena.









