• Coco Gauff diz que política de testes genéticos da WTA gera ataques desnecessários contra comunidade trans


      Coco Gauff se posicionou sobre a nova política de testes genéticos da WTA e afirmou apoiar a medida, mas fez uma ressalva em relação às consequências da decisão para a comunidade transgênero.

      A campeã de dois torneios de Grand Slam falou sobre o assunto após vencer sua partida de estreia no Aberto do Canadá, na quinta-feira (06.08). Aos 22 anos, a tenista disse entender a intenção de preservar a igualdade nas competições femininas, mas demonstrou preocupação com a forma como a mudança vem sendo recebida.

      “Então, sim, acho que concordo em parte com a tentativa de proteger a igualdade no esporte feminino. Mas também não gosto dos ataques que isso está gerando”, afirmou Gauff.

      Coco Gauff — Foto: GettyImages
      Coco Gauff — Foto: GettyImages

      A atleta também destacou que algumas pessoas estariam utilizando o debate como uma forma de direcionar críticas à comunidade trans. “Há pessoas que não se importam de verdade, mas querem usar isso como motivo para atacar a comunidade trans – então eu também não sou muito fã disso”, completou.

      A nova regra da WTA foi anunciada no mês passado e estabelece que as atletas deverão passar por testes genéticos para disputar os Jogos Olímpicos de Verão de 2028, em Los Angeles. A decisão acompanha uma determinação do Comitê Olímpico Internacional (COI), divulgada em março, que restringiu a participação de atletas transgênero em competições femininas.

      Coco Gauff — Foto: GettyImages
      Coco Gauff — Foto: GettyImages

      “A elegibilidade para qualquer evento da categoria feminina nos Jogos Olímpicos ou em qualquer outro evento do COI, incluindo esportes individuais e coletivos, agora está limitada a mulheres biológicas”, informou o COI em comunicado.

      Segundo a entidade, todas as atletas que participarem da categoria feminina deverão realizar um teste genético antes das competições. O exame pode ser feito por meio de saliva, coleta da mucosa bucal ou amostra de sangue, procedimento que já é utilizado no atletismo, de acordo com o The New York Times.

      Gauff também questionou a forma como a alteração foi anunciada, criticando o fato de os jogadores não terem sido consultados ou informados antes da divulgação oficial da nova política.

      Coco Gauff — Foto: Reprodução/Instagram
      Coco Gauff — Foto: Reprodução/Instagram

      A discussão ganhou ainda mais atenção após uma polêmica envolvendo a WNBA e a jogadora Sophie Cunningham, do Indiana Fever.

      A atleta, de 29 anos, falou publicamente sobre a participação de atletas transgênero em categorias femininas e recebeu tanto críticas quanto apoio após uma entrevista concedida à ESPN no mês passado.

      “Recebi muitos comentários negativos sobre eu odiar pessoas trans. E eu penso: ‘Nunca disse isso’”, declarou Cunningham à ESPN. “Acho que estou aqui para espalhar amor. Mas também acho que, junto com o amor, vem a verdade, a honestidade. E quero proteger meninas jovens em vestiários, ou meninas jovens no esporte, que não deveriam ter que competir contra homens biológicos.”

      O posicionamento da jogadora provocou discussões durante uma viagem recente do Indiana Fever. Enquanto apoiadores da opinião de Cunningham se reuniram do lado de fora de uma partida contra o Minnesota Lynx, a treinadora do time adversário, Cheryl Reeve, apareceu usando uma camiseta com a frase “Crianças Trans Pertencem”.

      Antes do jogo, Reeve também foi vista conversando com Cunningham em um momento que chamou atenção em meio ao debate.

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