• Denise Milan ocupa o Museu de Arte Sacra de São Paulo com exposição sobre a vida interior das pedras


      A mostra se divide em cinco núcleos. Em Elementares I, basaltos e quartzos cristalizados revelam figuras humanas e organismos inscritos na própria matéria mineral, o que Milan chama de “enunciações de vidas eternas”. Em Elementares II, essas formas ganham dimensão escultórica em alumínio fundido, aproximando geologia, corpo e memória. Imaginários da Terra reúne pedra, metal e quartzito em composições construídas como mapas simbólicos da formação terrestre. Explosões concentra obras sobre expansão e ruptura interna dos cristais. Origens fecha o percurso como eixo conceitual: origem da matéria, da vida, da consciência e das imagens.

      No centro de tudo está o que a artista chama de “drama da matéria”, uma narrativa que compreende a Terra como organismo vivo, portador de memória e energia. Nesse universo, animais, florestas, microrganismos e minerais assumem protagonismo, e o ser humano passa a ser entendido como parte de um processo cósmico mais amplo.

      A curadora Naomi Moniz descreve a exposição como um convite ao “transumanar”, palavra de Dante Alighieri que Milan toma emprestada para falar de uma jornada além de si mesmo. Para Moniz, Milan “tece fábulas como metáfora para sugerir uma revolução nos padrões de comportamento humano, centrada na conexão, cooperação e cura, em vez de polarização, cobiça e rivalidade.”



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