• Islândia: por que esse destino que parece outro planeta deve ser o próximo na sua lista




      Tem destinos que você visita. E tem destinos que te visitam de volta, que ficam dentro da gente muito depois que a mala foi desfeita e a vida voltou ao normal. A Islândia é esse tipo de lugar: um país onde a água pode ser bebida direto da nascente, onde não existe um único McDonald’s, onde a energia é 100% renovável e onde, do nada, uma tempestade aparece, te obrigando a refazer todos os seus planos. Um destino para quem está disposto a se surpreender de verdade.
      O azul impossível do Blue Lagoon
      Blue Lagoon, Islândia
      Getty Images
      Não importa quantos dias você tenha na Islândia: o Blue Lagoon não é opcional. É a única lagoa geotérmica natural do país (as outras são artificiais), figura entre as 25 maravilhas do mundo e fica a apenas 20 km do aeroporto de Keflavik — o que significa que você pode começar ou terminar a viagem literalmente dentro dela. Depois de dias explorando gelo, vento e paisagens que parecem render digitais de outro planeta, entrar naquela água quente envolto em vapor é quase um reset do sistema nervoso.

      Turístico? Extremamente. Mas entrega exatamente o que promete: relaxamento dentro de um cenário surreal, com um azul que não parece real até você estar dentro. Meu conselho: vá com calma, não trate como parada obrigatória de checklist. Existe até a possibilidade de se hospedar na própria lagoa, e vale considerar. Existe também um ônibus direto da capital que é ótima opção, especialmente no inverno, quando tempestades chegam sem avisar e alugar carro pode virar uma aventura desnecessária.
      Nathalia Dias Gomes aproveitou as termas de Blue Lagoon
      Acervo Pessoal
      O sul que parece cenário de série
      Skógafoss
      Getty Images
      Fiz o roteiro do sul da Islândia em um dia, e foi um dos dias mais impressionantes da viagem. Skógafoss impressiona pela força bruta e pelos arco-íris constantes: é uma cachoeira que bate no chão com uma autoridade que você sente no peito. Logo depois, Seljalandsfoss oferece o oposto: você caminha por trás da queda d’água, com a cortina de água caindo na sua frente. Vá preparado para se molhar. Não tem jeito.
      O ponto alto foi a Katla Ice Cave, uma caverna de gelo dentro do glaciar, acessada de super jeep. É exatamente isso que o nome promete: gelo azul misturado com negro, silêncio, presença. Quem assistiu a Game of Thrones vai reconhecer cenários em cada curva do caminho — a caverna foi usada nas gravações, assim como as praias de areia preta, com suas falésias dramáticas que parecem congeladas no tempo. Dica que faz diferença: vá bem equipada (vento + água o tempo todo) e chegue cedo. Menos gente, mais silêncio. Outra dica: escolha tours menores. A experiência é completamente diferente. No caminho, praias de areia preta como a Black Sand Beach com falésias e pequenos vilarejos deixam o roteiro ainda mais especial, daqueles que vão muito além dos pontos turísticos.
      O Golden Circle e o glaciar que muda tudo
      O Golden Circle é o roteiro mais clássico da Islândia e isso não é demérito nenhum. Em Þingvellir, você literalmente caminha entre dois continentes: é um dos únicos lugares do mundo onde as placas tectônicas são visíveis acima do nível do mar. O mesmo parque também foi o palco do primeiro parlamento viking da história. Impressionante nos dois sentidos.
      Nathalia Dias Gomes na Islândia
      Acervo Pessoal
      Depois, o Strokkur entra em erupção a cada poucos minutos, lançando água a dezenas de metros de altura. Você fica esperando acontecer de novo. E de novo. E de novo. Em seguida, Gullfoss: uma queda dupla que vem direto do glaciar com uma escala que não cabe bem em foto. No caminho, paradas como Faxi trazem um contraste mais calmo e quase silencioso. No inverno, tudo isso fica coberto de neve, o que cria uma atmosfera diferente — mais quieta, mais intensa.
      Outra dica é ir cedo para evitar os horários mais cheios, reservar mais tempo no Geysir (porque é lá onde tudo acontece), e, se puder, incluir o off-road até a região do Langjökull: o snowmobile ou super jeep pelo glaciar é o que transforma um roteiro clássico em algo memorável de verdade.
      Quando ir
      Nathalia Dias Gomes
      Acervo Pessoal
      Depende do que você quer. Verão, de julho a agosto, tem dias intermináveis — o sol da meia-noite é um fenômeno que desorienta e encanta ao mesmo tempo —, estradas abertas e temperaturas entre 10 e 15°C. Para aurora boreal, o período vai de setembro a abril, com março e setembro sendo os favoritos. Em ambos os casos, minha recomendação é sempre fazer os passeios com guia. As empresas de tour sabem o que fazer quando uma tempestade aparece do nada — e acredite, elas aparecem.
      Onde comer
      Prato do Dill
      Divulgação
      A cena gastronômica de Reykjavik surpreende quem não está esperando. O Dill é uma experiência à parte: o chef Gunnar Karl Gíslason leva o comensal em uma jornada por ingredientes sazonais islandeses dentro de um espaço minimalista com toques de madeira natural e luz suave, onde cada prato revela a riqueza da ilha. É o tipo de jantar que você se lembra por anos.
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      Para quem quer algo ainda mais exclusivo, o Óx funciona como uma experiência íntima dentro do restaurante Sumac, com apenas dez lugares ao redor de um balcão — o chef Þráinn Freyr Vigfússon cria um menu degustação que passa por tartare de rena e charr ártico defumado, com a proximidade da cozinha garantindo uma interação quase pessoal com quem está preparando o prato.
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      Já o Grillmarkaðurinn traz para dentro uma estética que parece arrancar pedaços da própria Islândia — pedra basáltica, musgo, chamas abertas —, com um cardápio que celebra carnes e frutos do mar locais, incluindo o puffin grelhado, uma das iguarias mais características do país. Reserva com antecedência é obrigatória.
      Onde dormir
      The Reykjavik EDITION
      Divulgação
      O The Reykjavik EDITION é o hotel mais estiloso da capital: cinco estrelas à beira do Old Harbour, com quartos que mesclam carvalho, pedra vulcânica e lã islandesa, além do restaurante Tides — também comandado pelo chef Michelin Gunnar Karl Gíslason — e um rooftop bar com vistas panorâmicas da cidade.
      Hotel Borg fica na Austurvöllur Square
      Divulgação
      Para quem prefere um clima mais histórico, o Hotel Borg fica na Austurvöllur Square, no coração de Reykjavik, e combina o charme Art Déco com pisos de mármore e serviço impecável — é o tipo de hotel que parece ter existido sempre, e ao mesmo tempo nunca envelhece. E para uma experiência completamente diferente, o ION Adventure Hotel, a apenas 45 minutos de Reykjavik e próximo ao Parque Nacional de Þingvellir, é uma estrutura de concreto e vidro inserida na natureza, com banheiras externas à beira do rio e um observatório astronômico no local — ideal para quem quer acordar dentro da paisagem islandesa.
      Uma nota sobre dinheiro e comida de rua
      A Islândia não é barata. Não por acaso: é um país com infraestrutura impecável, natureza preservada e qualidade de vida altíssima. Quando eu estive lá, 1 euro equivalia a aproximadamente 144 coroas islandesas. Para compensar o orçamento, a cena de street food de Reykjavik é ótima — cachorro-quente é a comida tradicional por excelência (prove, mesmo que não seja sua praia) e a iceland fisherman soup, uma sopa de peixe cremosa e quente, é exatamente o que o corpo pede depois de um dia inteiro no vento.
      Uma última coisa
      Perlan Museum
      Divulgação
      Se o tempo virar, não entre em pânico. Vá ao Perlan Museum, no centro de Reykjavik: um museu interativo que reproduz as maravilhas naturais da Islândia com tecnologia de imersão, incluindo uma caverna de gelo com neve real e temperatura real. Ótimo para crianças, ótimo para adultos que precisam de uma pausa do frio. A Islândia é o tipo de país que acalma. O vento é vento. O gelo é gelo. A água que você bebe vem da montanha. E quando a aurora aparece no céu de março — aquele verde que nenhuma foto faz jus —, você entende por que algumas viagens mudam sua referência de mundo.
      Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Vogue
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