• Lizzo relembra inseguranças da infância e faz reflexão sobre críticas: “Prefiro ser irritante do que invisível”




      Lizzo abriu o coração ao relembrar momentos delicados de sua infância e revelou que passou boa parte da vida convivendo com uma insegurança que a acompanhou desde muito cedo. Em entrevista ao jornal Los Angeles Times, a artista contou que, quando era criança, acreditava ser uma pessoa incômoda para os outros e que esse sentimento marcou profundamente sua trajetória.
      A cantora, hoje com 38 anos, explicou que a sensação surgiu dentro do ambiente familiar e estava relacionada à sua personalidade expansiva e ao período em que começou a estudar música. Como caçula da família, ela lembra que tinha receio de incomodar as pessoas ao seu redor enquanto aprendia a tocar flauta.
      “Cresci me sentindo muito irritante”, disse a cantora de “Bitch”. “Era uma grande insegurança minha. Sou a caçula da família e tocava provavelmente o instrumento mais irritante para se ser ruim. Ouvir alguém tocar flauta mal é um pesadelo. E eu fui ruim por pelo menos dois anos.”
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      Apesar das lembranças desconfortáveis, Lizzo afirmou que, ao longo dos anos, conseguiu transformar essas inseguranças em aprendizado. Segundo ela, parte do processo de amadurecimento foi justamente entender que não precisava esconder sua personalidade para agradar aos outros.
      Lizzo
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      A artista acredita que superar esses medos representou uma forma de cura emocional que continua acontecendo até hoje. “Essa ansiedade me assombrou a vida toda, e acho que estou curando algo em mim – na minha criança interior – que eu nem sabia que estava curando”, explicou ela.
      Ao falar sobre a fama, Lizzo também comentou como aprendeu a lidar com as críticas e brincadeiras que circulam constantemente nas redes sociais. A cantora afirmou que já viu praticamente todo tipo de meme e comentário envolvendo sua imagem e que, atualmente, isso já não tem o mesmo impacto que tinha no passado.
      Lizzo
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      “Já ouvi tudo o que era possível ouvir sobre mim, então nada mais me incomoda”, revelou, acrescentando que já se deparou com inúmeras montagens e piadas feitas por internautas.
      “Já me vi em montagens com a Kamala Harris. Já me vi como um manequim. Já vi costelinhas de porco do Chili’s espalhadas pelo meu rosto”, contou.
      Demonstrando bom humor, a artista disse que costuma encarar muitas dessas situações com leveza e até rir junto com o público. “O público em geral, nove em cada dez vezes, acha que está rindo de mim. E eu penso: ‘Querida, estou rindo junto com vocês, rindo de mim a caminho do banco.'”
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      No entanto, Lizzo também ressaltou que existe um lado mais sério por trás de muitas críticas direcionadas a ela. Segundo a cantora, parte da rejeição que enfrenta está relacionada a preconceitos estruturais presentes na sociedade.
      A artista destacou que mulheres negras frequentemente são julgadas de maneira mais dura e acredita que muitos ataques recebidos ao longo da carreira têm relação com racismo, sexismo e gordofobia. “Mulheres negras sofrem ainda mais”, disse ela. “Acho que a maioria das críticas e da antipatia que recebo são gordofóbicas, racistas e sexistas.”
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      Lizzo afirmou que sua imagem desafia padrões tradicionalmente impostos às mulheres e que isso costuma gerar desconforto em algumas pessoas. Ainda assim, ela não pretende mudar quem é para se adequar às expectativas alheias.
      “Sou uma mulher negra gorda e vivo fora dos parâmetros que a sociedade acha que eu deveria viver”, explicou a vencedora do Grammy. “Sempre fui um pouco demais – essa é a minha personalidade. Mas eu penso: ‘Será que eu sou demais ou será que você não é o suficiente?'”.
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      Hoje, mais confiante e confortável com sua própria identidade, a cantora diz que prefere ocupar espaço, expressar suas opiniões e viver de forma autêntica, mesmo que isso desagrade algumas pessoas. “Prefiro ser irritante do que invisível.”
      A declaração resume uma fase de maior autoconhecimento da artista, que segue utilizando sua voz para discutir autoestima, aceitação e os desafios enfrentados por mulheres que fogem dos padrões convencionais impostos pela sociedade.
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