Nos últimos dez anos, como aponta o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de mulheres empreendedoras cresceu 27%, avanço superior ao registrado entre os homens no mesmo período. Em 2025, as empreendedoras também alcançaram o maior rendimento da série histórica analisada pela entidade. Esses dados sinalizam o movimento contínuo de profissionais que sabem da importância da sua contribuição para a economia brasileira.
As mulheres estão ampliando sua presença nos negócios em um momento em que o capital também se transforma por meio da tecnologia, da transição energética, da economia circular e da busca por soluções de impacto socioambiental. No entanto, ainda precisamos de políticas públicas, aliados e agentes de transformação para evitar que as desigualdades de gênero permaneçam.
Dados do Sebrae mostram que, dos R$ 109 bilhões em crédito concedidos às micro e pequenas empresas analisadas no primeiro trimestre de 2024, apenas 29,4% foram destinados a negócios liderados por mulheres, enquanto 71% couberam a negócios liderados por homens. Nesse cenário, empreendimentos comandados por mulheres têm menos chances de escalar por falta de investimento.
Estar nas salas de decisão e concorrer às mesmas oportunidades é o que temos buscado. Afinal, os números já evidenciam o potencial transformador da liderança feminina, seja em qual área for. Fintechs, agtechs, healthtechs, foodtechs, edtechs, negócios de impacto, tecnologias climáticas e soluções baseadas em inteligência artificial estão entre os segmentos em que mulheres vêm construindo empresas, desenvolvendo produtos e criando novas formas de resolver problemas.
O movimento aparece com notoriedade no ecossistema de startups. Levantamento do Sebrae mostra que a participação feminina entre os fundadores de startups mapeadas ou atendidas pela instituição passou de 8,65%, em 2023, para 30,18%, em 2024. Além disso, 21% das startups de impacto socioambiental são lideradas por mulheres. O estudo também aponta que, quando há programas e ambientes específicos de estímulo à inovação, as mulheres têm maior chance de ocupar cargos de destaque.
A inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse desafio. Dados mapeados pelo LinkedIn em 27 países, em 2026, apontam que as mulheres ocupam apenas 4,7% das posições de liderança em empresas de inteligência artificial (IA) no Brasil, enquanto a média global é de 13,3%. Estamos diante de uma economia cada vez mais digital, verde e orientada por dados, e a participação feminina se faz necessária.
Se o objetivo é uma economia crescente, inovadora e sustentável, precisamos ampliar a presença dessas profissionais nos conselhos, nos fundos de investimento, nas áreas de tecnologia, nas empresas de base científica, nas cadeias de fornecedores e nos espaços em que são definidas as prioridades de investimento. Ou seja, é preciso praticar a diversidade de gênero com intenção, mas principalmente como estratégia para construir um futuro promissor.
Também é necessário olhar para a diversidade dentro do próprio tema (gênero), e compreender que mulheres negras, periféricas e de diferentes regiões do país enfrentam barreiras adicionais para acessar redes, crédito e mercados. Uma agenda de ampliação do capital destinado às mulheres que não considere essas diferenças corre o risco de reproduzir, dentro do grupo, as desigualdades que pretende combater. A interseccionalidade cabe nesse debate, mas fica para outro artigo.
A demanda por mudanças já está em curso, e isso merece comemoração. O Programa Mulheres Inovadoras, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é um exemplo. O aumento de 65% no número de propostas, em comparação com 2023, demonstra a força desse movimento. Somos propositivas, e os resultados das nossas ações se solidificam a cada passo que damos juntos. Para avançar, precisamos de aliados, pois ampliar o acesso ao capital, à tecnologia e aos espaços de decisão é parte fundamental desse caminho.
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Vogue
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