A atriz Paula Cohen é um dos grandes destaques brasileiros no 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza. Na Itália para a exibição de Ritorno a Buenos Aires na Sala Grande nesta sexta-feira (11.09), ela desfilou pelo prestigiado tapete vermelho vestindo exclusivamente grifes brasileiras e conversou com exclusividade com a Vogue Brasil sobre o novo filme, que concorre ao Leão de Ouro, sua preparação para dar vida a uma juíza no contexto da ditadura argentina e os próximos passos na carreira, incluindo a estreia na série Habeas Corpus, da Netflix.
Confira a entrevista completa:
Vogue Brasil: É a primeira vez que você participa de um festival internacional? Como é pisar num tapete vermelho tão carregado de história do cinema?
Paula Cohen: Sim, é a primeira vez. Uma emoção indescritível! Veneza é um dos grandes berços da cinematografia mundial e a Itália é um país que foi fundamental na minha formação cinematográfica. Cresci vendo filmes de Fellini, Visconti, Ettore Scola… E Giulietta Masina é uma das minhas musas máximas, uma atriz que me inspira profundamente até hoje. Então, estar entre os filmes da competição é uma honra imensa. É um sentimento de fazer parte, de, de alguma maneira, contribuir para a cinematografia mundial, trazendo o Brasil para esta edição e para este tapete.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/8/n/U6BpNcTKudNz31UDwROg/fdl-267-.jpg)
Vogue Brasil: Como foi o processo de escolha do look para a première em Veneza?
Paula Cohen: Eu quis que todas as marcas fossem brasileiras, obviamente. Queria levar o Brasil para o Festival, mas também porque temos talentos gigantes na nossa moda. Especialmente para o red carpet, queria Gloria Coelho. Ela é uma estilista que tem uma dramaticidade que eu amo e admiro desde sempre, e que tem muito a ver com o meu estilo. As joias da Prasi também são deslumbrantes e carregam toda uma poesia na sua feitura e no seu conceito. Os sapatos são da Santa Lolla, marca com a qual tenho uma relação muito especial. Amo os sapatos e as bolsas, mas, além disso, tenho uma relação de afeto imenso com a Vanessa Martinez, dona da marca, que é uma das minhas grandes amigas da vida e sempre apoiou para os grandes eventos e para todos os meus projetos de teatro. É uma parceria de longa data. Também trouxe a Iara Wisnik, estilista deslumbrante e que além de ter a sua marca incrível, faz muitos dos meus figurinos de teatro, joias da Fabiana Mortari que tem uma elegância e são super modernas e os óculos da maravilhosa Lapima. Não poderia estar mais bem acompanhada. Me senti linda e plena em todos os meus compromissos aqui.
Vogue Brasil: O que fez você aceitar o convite para interpretar Desideria Losada, sabendo que o filme lida com um tema tão sensível quanto a ditadura argentina?
Paula Cohen: Acho um tema importantíssimo de ser contado. O cinema tem essa responsabilidade de manter a história viva e fazê-la atravessar gerações. De fazer as pessoas refletirem a partir da história e, inclusive, para que não repitamos os erros e as violências do passado. O Marco Bechis é um cineasta magnífico e aprendi muito durante esse processo. Tenho um orgulho imenso do filme.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/s/f/2PD8GwT9eOxQNQ1Sbhpw/whatsapp-image-2026-09-12-at-09.52.02.jpeg)
Vogue Brasil: Você mencionou ter mergulhado na história da ditadura argentina para construir a personagem. Que materiais, depoimentos ou referências foram mais marcantes nesse processo de pesquisa?
Paula Cohen: Eu assisti a tudo o que pude e li o livro do Marco, A solidão do subversivo, que conta a história pessoal dele. Conversei muito com uma amiga minha e da minha mãe, que é sobrevivente da ditadura argentina e mora no Brasil. Assisti a muitos dos julgamentos que estão filmados, principalmente o Juicio a las Juntas, os tribunais de 1985. Vi documentários e filmes que tratavam do período e acompanhei muito do trabalho das Madres de Plaza de Mayo. Tenho também uma prima advogada na Argentina com quem tive longas conversas. Enfim, absorvi tudo o que pude. E foi muito dolorido entrar em contato com esse material. Foi um momento terrível, um horror, tudo o que aconteceu não apenas na Argentina, mas também no Brasil, no Uruguai e no Chile.
Vogue Brasil: Existe alguma intenção de usar a visibilidade do tapete vermelho e da moda como plataforma para reforçar essa mensagem de justiça que o filme carrega?
Paula Cohen: Estar neste filme é, para mim, um posicionamento político absoluto. O tapete vermelho também evidencia essa escolha: estamos ali para apresentar o filme ao mundo, e, se ele trouxer reflexão, provocar discussões e ajudar a conscientizar as pessoas, já terá cumprido um papel muito importante.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/H/9/RQJXp4TRuysU03PQfvHw/credito-jiddu-pinheiro-03.jpeg)
Vogue Brasil: O que você adiciona de brasilidade nesta fusão multicultural entre Brasil, Itália e Argentina?
Paula Cohen: Uma coprodução aporta muitos olhares e vivências. Este filme carrega no seu DNA a Argentina enquanto território vivo dos fatos, a Itália, pátria do protagonista e do diretor – apesar de o Marco ter nascido no Chile, ele vive e passou grande parte da sua vida na Itália – e o Brasil está em mim, nos produtores, em grande parte da equipe e também em outros atores que estão no filme. Além disso, o filme foi rodado em Porto Alegre, que aparece como Buenos Aires, e também em Turim. A minha parte, que acontece dentro do tribunal, filmei inteiramente em Turim, como se fosse Buenos Aires.
Assine a nossa newsletter!
Tudo que você precisa saber, diretamente no seu e-mail. É rápido e gratuito.
Vogue Brasil: O filme concorre ao Leão de Ouro. O que significaria para você e para o cinema brasileiro se Retorno a Buenos Aires levasse o prêmio?
Paula Cohen: Acho que seria maravilhoso! Pela força do filme, pela importância política que ele tem, pelo Marco Bechis e toda a sua trajetória, e pela excelência artística e de produção. Estou torcendo muito. A estreia ontem foi muito bem recebida, e isso já é uma alegria enorme. O cinema brasileiro está em um momento maravilhoso, contando suas histórias com muita propriedade e fazendo com que o mundo reconheça a nossa excelência artística e conheça mais sobre nós. Neste filme estamos falando da Argentina, mas espelha a nossa história, também passamos o horror da ditadura. Essa é uma ferida aberta nossa, latino americana então para o Brasil é importantíssimo contar lá e ter reconhecimento artístico por isso também.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/x/0/wuEkdYTNeeDSu38xT2yg/credito-jiddu-pinheiro-02.jpeg)
Vogue Brasil: Em Retorno a Buenos Aires, sua personagem é uma juíza. Em breve, você também estreia na série Habeas Corpus, da Netflix. Pode adiantar um pouco quem é a personagem que você interpreta e como foi conciliar esses projetos de universos tão próximos?
Paula Cohen: Sim, Habeas Corpus estreia agora, no dia 23 de setembro. Infelizmente, não posso adiantar nada sobre a minha personagem na série, mas tenho certeza de que também será impactante. É um tema muito forte, com um elenco incrível e uma produção muito potente. O Luís Villaça é um excelente diretor e foi o primeiro diretor de cinema com quem trabalhei na vida. Eu tinha 20 anos, estava saindo da Escola de Arte Dramática, quando fiz com ele Por Trás do Pano, seu primeiro longa-metragem. Para conciliar os dois projetos foi uma matemática, mas deu certo e sou muito grata por isso.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_5dfbcf92c1a84b20a5da5024d398ff2f/internal_photos/bs/2026/t/b/P9ab32RqWLzzHeqReaCg/credito-jiddu-pinheiro-01.jpeg)
Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!









