Por que tratamentos faciais podem ter resultados diferentes na menopausa


    Não é impressão sua, o preenchimento, o ultrassom, aquele laser que dava um glow imediato à pele podem não estar entregando o mesmo resultado desde que você entrou no climatério. E a explicação é simples: a estrutura da pele e dos tecidos do rosto mudou. A queda do estrogênio na perimenopausa e na menopausa reduz a produção de colágeno, altera a hidratação e enfraquece a barreira cutânea. A pele fica mais fina, seca, sensível e demora mais para se recuperar. Tudo isso exige um novo olhar para os tratamentos. “Insistir nos mesmos protocolos de antes quando se está na menopausa é uma das formas mais comuns de ter resultado ruim”, afirma o dermatologista Renato Soriani.

    Estudos apontam redução de cerca de 30% do colágeno nos primeiros cinco anos após a menopausa, o que contribui para perda de espessura e firmeza. “Por isso, tratamentos que estimulam a produção de novas fibras de colágeno, como bioestimuladores injetáveis, radiofrequência, ultrassom microfocado e alguns tipos de laser, ganham protagonismo”, diz a dermatologista Paola Pomerantzeff. A questão, agora, é entender as mudanças que ocorrem na estrutura do rosto e adaptar tanto quantidade quanto local a ser tratado.

    Ainda há a questão do afinamento e sensibilidade, o que pede ajustes também na intensidade dos procedimentos que utilizam energia. No laser fracionado, por exemplo, que trata textura e linhas finas, e na radiofrequência, usada para estimular colágeno e melhorar a firmeza, o dr. Renato tende a recalibrar todo o protocolo. “Nesse tipo de pele, uso menos energia, menos passadas e intervalos maiores entre as sessões, porque a recuperação é mais lenta”, explica o dermatologista.

    A escolha, porém, não é feita pela idade da paciente. “Espessura da pele, grau de flacidez, fototipo, tolerância a downtime [período de recuperação] e o que a paciente espera” entram na avaliação, diz o médico. Ele também considera o nível de inflamação e o metabolismo glicêmico antes de definir a tecnologia. O preparo, ressalta ele, passa a ser mais importante, e vem antes do equipamento. Barreira da pele íntegra, hidratação e fotoproteção em dia são fundamentais nessa fase.

    Skincare: a barreira ganha prioridade

    A rotina de skincare em casa também precisa acompanhar a mudança da pele. A dermatologista Thalyta Valle Travaglini, recomenda priorizar limpeza suave, hidratação mais potente, ativos que estimulem o colágeno e proteção solar diária. Na prática, isso significa dar mais atenção à hidratação e à recuperação da barreira antes de aumentar a intensidade da rotina.

    Foque em cremes com ingredientes umectantes e lipídios que ajudam a reforçar a barreira, como ceramidas, para combater o ressecamento. A limpeza deve ser suave, sem retirar excessivamente a oleosidade da pele. Retinoides e outros ativos que estimulam a renovação e o colágeno continuam podendo fazer parte da rotina, mas é preciso ficar de olho na tolerância. A pele mais sensível pede menor frequência desses ativos — ou uma introdução mais gradual.

    E a reposição hormonal?

    Embora não seja prescrita para efeito estético, mulheres que fazem uso da terapia hormonal na menopausa relatam melhora na espessura, hidratação e elasticidade da pele. “Se a reposição muda a resposta aos procedimentos? Isso é uma hipótese plausível, já que a pele partiria de um substrato melhor, mas faltam estudos diretos que comparem isso”, afirma o dr. Renato. O alerta é importante, sobretudo porque a reposição tem a ver com saúde.

    Entender que a pele também mudou nessa fase é o passo mais importante para conseguir bons resultados, seja com o skincare, seja com tratamentos.



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