O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) emitiu um alerta sobre a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos em território brasileiro. A preocupação surge após a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos EUA. Em um documento assinado pelo ministro Mauro Vieira, em resposta a requerimento do deputado Evair Vieira de Melo, o Itamaraty declarou: "Há a possibilidade do uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro."
Implicações da Classificação Terrorista
O chanceler Mauro Vieira indicou que a designação pode gerar impactos significativos na economia e na soberania nacional, possibilitando a aplicação de medidas administrativas e judiciais unilaterais e extraterritoriais contra pessoas e empresas brasileiras. Essa preocupação se intensifica com as recentes sanções do Departamento do Tesouro dos EUA a indivíduos e empresas por supostos vínculos com o PCC, movimento iniciado após a classificação das facções em maio. O ministro criticou a ausência de comunicação formal dos EUA sobre a intenção de tal classificação, considerando-a sem benefícios para a segurança regional.
Alertas Anteriores e Impactos Estratégicos
A advertência sobre o uso da força militar em território brasileiro não é recente; o ministro Vieira já havia se manifestado em um documento de 29 de maio, em resposta a outro requerimento do deputado Capitão Alberto Neto. Nesse contexto, ele alertou que a reclassificação das facções tende a "militarizar a agenda regional de combate ao crime organizado, elevar custos de compliance das empresas e do sistema financeiro nacional e penalizar atividades lícitas".
Impacto na Soberania e Cooperação
O Itamaraty enfatiza que a amplitude da legislação de contraterrorismo dos EUA pode trazer sérias consequências para cidadãos brasileiros nas esferas financeira, migratória e penal. Mauro Vieira reafirma que a medida representa "impactos relevantes sobre a soberania do Brasil". Além disso, ele argumenta que a classificação não apenas falha em gerar benefícios concretos, como também pode comprometer a cooperação policial entre os dois países, criando uma "confusão entre dois fenômenos claramente diferentes à luz da legislação brasileira: o crime organizado e o terrorismo".









