O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, defendeu o futebol como um espaço fundamental para a mobilização social, prestando homenagem ao icônico ex-jogador brasileiro Sócrates e ao movimento da Democracia Corinthiana. Este último representou uma notável oposição à ditadura militar no Brasil, envolvendo membros do clube paulista em um período crucial da história.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Mamdani ressaltou o poder transformador do esporte, afirmando: “O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”. Ele complementou que, ao celebrar a Copa do Mundo em Nova York, a cidade está “criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”.
A Democracia Corinthiana: Um Legado de Participação e Luta Política
A Democracia Corinthiana marcou a história do futebol brasileiro como um movimento inovador que promovia a participação ativa de jogadores e funcionários nas decisões do clube. Por meio do voto, membros da equipe conquistaram o direito de definir aspectos cruciais, como horários de treino e detalhes da concentração. Esse diálogo foi iniciado em 1982, sob a presidência de Waldemar Pires.
Entre os atletas que se tornaram vozes políticas do grupo estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon. A influência da equipe transcendeu os gramados, com o Corinthians estampando frases de cunho político como 'Diretas Já' em suas camisas, em um período de intensa articulação social pela redemocratização do país.
Trajetória e Conquistas do Movimento
O movimento da Democracia Corinthiana, que durou alguns anos, começou a perder força em 1984 com a saída de Casagrande para o São Paulo e a transferência de Sócrates para a Fiorentina. Durante sua vigência, o time conquistou o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, alcançaria seu primeiro Campeonato Brasileiro.
Sócrates: Liderança em Campo e Contra a Ditadura Militar
O prefeito Zohran Mamdani fez questão de recordar a atuação de Sócrates como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 80, incluindo sua participação como capitão na Copa do Mundo de 1982. Ele enfatizou o contexto histórico: “Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força.” Mamdani destacou a audácia do movimento: “No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto.”
O prefeito ainda lembrou que, “enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, evidenciando a coragem e o engajamento político do ídolo.
O Prefeito Zohran Mamdani e o Contexto Atual da Copa
A menção ao futebol ocorreu antes do jogo entre Brasil e Marrocos pela Copa do Mundo, em partida realizada no MetLife Stadium, em Nova Jersey, uma das cidades-sede do campeonato, juntamente com Nova York. A partida do Grupo C terminou empatada em 1 a 1.
Zohran Mamdani, um democrata de 34 anos, assumiu o cargo de prefeito de Nova York em janeiro deste ano, tornando-se o primeiro muçulmano a comandar a cidade e o mais jovem a ocupar o posto desde 1892. De descendência imigrante, Mamdani se identifica como socialista, é crítico ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e é favorável à causa palestina, consolidando seu perfil progressista na política americana.









