O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza sua penúltima reunião do ano nesta quarta-feira (4) para definir o futuro da Taxa Selic. Apesar da recente valorização do dólar, analistas de mercado projetam a sexta redução consecutiva dos juros básicos da economia. Atualmente em 13,75% ao ano, a expectativa é que a Selic seja reduzida para 13,5%, conforme o boletim Focus.Cenário Econômico e Expectativas do MercadoA projeção de corte contrasta com a taxa de 15% que vigorou de junho de 2022 a março deste ano, sendo o maior nível em quase duas décadas. No entanto, as expectativas para a reunião de dezembro mudaram, com analistas agora prevendo a manutenção da Selic em 13,5%. A decisão será anunciada no final do dia. O Copom opera desfalcado devido ao término de mandatos de ex-diretores, cujos substitutos ainda não foram indicados. A ata da reunião de setembro já indicava cautela do Copom com a política monetária, em meio a pressões de demanda sobre a inflação. Fatores como a instabilidade cambial, os preços do petróleo, o aumento dos gastos públicos e o fenômeno El Niño contribuem para a pressão inflacionária.Análise da Inflação RecenteApós um repique em setembro, a prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), registrou queda para 0,32% em outubro. Contudo, no acumulado de 12 meses, a prévia subiu de 4,5% para 4,62%, superando o teto da meta de inflação estabelecida. O IPCA cheio de setembro será divulgado em 12 de novembro. Para este ano, a estimativa de inflação do boletim Focus foi revisada para cima, atingindo 5,22%, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio e pela alta do dólar, ultrapassando o teto de 4,5% da meta contínua do Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como centro 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual.Mecanismo e Impacto da Taxa SelicA Taxa Selic, juros básicos da economia, é utilizada nas negociações de títulos públicos e serve como referência para as demais taxas do mercado. Ela representa o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. O BC atua diariamente através de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos para manter a taxa próxima ao valor definido pelo Copom.Efeitos na Atividade EconômicaQuando o Copom eleva a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que encarece o crédito, estimula a poupança e pode desacelerar a economia. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, estimulando a atividade econômica, mas exigindo atenção para o controle inflacionário. Bancos também consideram outros fatores, como risco de inadimplência e custos administrativos, ao definir os juros ao consumidor.Dinâmica do Copom e a Meta Contínua de InflaçãoO Copom se reúne a cada 45 dias em um processo de dois dias: o primeiro dedicado a apresentações técnicas sobre cenários econômicos e de mercado, e o segundo para análise e definição da Selic pelos membros da diretoria do BC.Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta de inflação contínua, onde o objetivo a ser perseguido pelo BC é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%). Neste modelo, a meta é apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada nos 12 meses anteriores, em um processo de verificação que se desloca no tempo, não se limitando mais ao índice fechado de dezembro de cada ano.Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br









