O presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tiveram uma conversa 'extremamente franca' sobre a guerra na Ucrânia nesta terça-feira, 8, conforme comunicado oficial do Kremlin. O diálogo ocorreu após uma visita de enviados de Washington, Steve Witkoff e Jared Kushner, a Moscou e Kiev no fim de semana. Embora a retomada das negociações seja notável após meses de pausa devido ao envolvimento americano no Oriente Médio, não foram registrados avanços concretos, mantendo os impasses entre Rússia e Ucrânia.
O assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, revelou que os presidentes debateram as viagens dos enviados americanos. Trump enfatizou a necessidade urgente de encerrar o conflito na Ucrânia, enquanto Putin ofereceu uma 'análise objetiva e abrangente' do cenário no front. Ushakov descreveu a ligação como 'construtiva e extremamente franca', durando uma hora, e acrescentou que Putin reiterou não possuir 'nenhum plano agressivo' contra a Europa.
Ushakov informou ainda que Putin indicou medidas realistas que os americanos poderiam tomar para acelerar o fim das hostilidades. Ele avaliou a visita dos enviados de Trump como 'positiva' e afirmou que 'o trabalho vai continuar'. Contudo, até o momento da publicação, Donald Trump ou a Casa Branca não haviam divulgado uma versão oficial do telefonema.
Retomada dos Ataques em Kiev
A Rússia lançou novos ataques com mísseis e drones contra Kiev nesta terça-feira, 8, resultando em pelo menos duas mortes e dez feridos, conforme o prefeito Vitali Klitschko. A ofensiva ocorreu logo após a partida dos enviados de Trump da capital ucraniana.
Os destroços dos ataques causaram incêndios em um prédio residencial de cinco andares e em outra estrutura menor. As autoridades reportaram danos a um mínimo de 14 edifícios altos, um dormitório, uma escola, uma clínica e armazéns.
A Força Aérea da Ucrânia detalhou que a Rússia disparou dezenas de mísseis e 166 drones durante a madrugada, visando principalmente Kiev e Odessa. As defesas ucranianas abateram 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro e dois mísseis balísticos.
Intensificação e Contexto dos Conflitos
O recente ataque ocorre em um contexto de intensificação dos bombardeios russos em Kiev e outras cidades ucranianas nas últimas semanas, aumentando a urgência do apelo da Ucrânia por mais sistemas de defesa aérea.
A defesa de Kiev é crucialmente dependente dos mísseis Patriot, fornecidos pelos EUA para interceptar ameaças russas. No entanto, Washington tem demonstrado relutância em aumentar os envios, devido à redução de seus estoques após o uso extensivo em conflitos como o com o Irã.
Paralelamente, a Ucrânia intensificou suas ofensivas de drones contra alvos russos. Na semana anterior, o presidente Zelensky ordenou que as Forças Armadas ucranianas elevassem o número de ataques diários de longo alcance para 1.000, um aumento significativo em relação aos cerca de 300 atuais.
Zelensky declarou em pronunciamento: 'É preciso fazer mais: há uma meta concreta, e vamos cumprir essa tarefa'.
Recentemente, a sede do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) em Kiev foi atingida por um drone russo, ferindo nove pessoas. Zelensky afirmou que o alvo era o escritório de Oleksandr Poklad, chefe do serviço de segurança.
Fonte: https://veja.abril.com.br









