As festas juninas, com suas tradições de fogueiras, quadrilhas e fogos de artifício, representam um período de celebração muito aguardado no Brasil. Contudo, anualmente, esses festejos resultam em um aumento significativo de acidentes nos serviços de emergência, especialmente relacionados ao manuseio de artefatos explosivos. Neste ano, a concomitância com a Copa do Mundo tende a amplificar os riscos, intensificando a exposição da população a tais perigos.
A Dimensão do Problema no Brasil
Apesar da carência de levantamentos epidemiológicos recentes e abrangentes, dados do Ministério da Saúde indicam que, entre 2007 e 2017, foram registradas 5.620 internações, 1.612 atendimentos ambulatoriais e 96 mortes no SUS devido a acidentes com fogos de artifício. Essa média de aproximadamente 500 internações anuais sublinha a relevância do problema de saúde pública. Profissionais de pronto-socorros e centros de referência em cirurgia da mão percebem que esses números podem subestimar a real dimensão dos acidentes, notadamente concentrados nos meses de junho e julho.
Impacto de Grandes Eventos e Exemplos Regionais
A ocorrência de grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo, costuma impulsionar ainda mais o uso recreativo de fogos de artifício, elevando a probabilidade de acidentes. Em São Paulo, os atendimentos hospitalares por essa causa registraram um aumento de 43% de 2022 para 2023. Sergipe e o Distrito Federal também reportaram dezenas de vítimas, incluindo crianças, e aumentos expressivos em internações por queimaduras e traumas durante o período festivo, evidenciando uma sobrecarga sazonal nos serviços de emergência.
Consequências dos Acidentes nas Mãos
A mão é a parte do corpo mais suscetível a lesões por fogos de artifício devido ao contato direto com rojões, bombinhas e outros artefatos. As consequências variam de queimaduras superficiais a traumas complexos que comprometem tendões, nervos, vasos sanguíneos e ossos. Fraturas, lacerações profundas, esmagamentos e amputações traumáticas de dedos ou segmentos da mão não são eventos raros.
Além do impacto funcional imediato, essas lesões podem afetar drasticamente atividades básicas do dia a dia, a capacidade laboral e a qualidade de vida dos pacientes. Frequentemente, mesmo após múltiplas cirurgias e longos períodos de reabilitação, a recuperação completa da funcionalidade não é alcançável.
Medidas Preventivas Essenciais
A maior parte desses acidentes pode ser evitada com medidas preventivas simples. É crucial adquirir fogos de artifício apenas em estabelecimentos autorizados e seguir rigorosamente as instruções de segurança do fabricante. Crianças jamais devem manusear esses artefatos sem supervisão adequada de um adulto.
Adicionalmente, mantenha distância segura de quem estiver realizando a queima e nunca tente reacender artefatos que falharam. No caso de fogueiras, monte-as em locais abertos, afastados de residências, veículos e materiais inflamáveis. Evite o uso de álcool ou outros combustíveis para acender ou reavivar o fogo, pois isso eleva o risco de explosões e queimaduras graves. Em caso de acidente, a orientação inicial é lavar a área atingida com água corrente abundante e procurar atendimento médico imediatamente, sem aplicar receitas caseiras, pomadas sem prescrição ou outras substâncias sobre a lesão.
As festas juninas são um patrimônio cultural valioso do Brasil e devem ser celebradas. Contudo, tradição e segurança precisam caminhar juntas. Quando se trata de fogo e explosivos, a prevenção continua sendo a melhor forma de garantir que as comemorações resultem apenas em boas lembranças, e não em sequelas permanentes, especialmente nas mãos.
Fonte: https://saude.abril.com.br









