• Vacinação: A Ciência Confirma Seus Benefícios para a Saúde do Coração e Desmistifica Riscos

      A vacinação é tradicionalmente associada à prevenção de doenças específicas. Contudo, evidências científicas crescentes revelam um "efeito colateral" crucial: a proteção cardiovascular. Esta relação, antes subestimada, ascendeu a uma prioridade na cardiologia global.

      A Nova Prioridade da Cardiologia Global

      O Colégio Americano de Cardiologia (ACC), uma das principais entidades da área, emitiu um documento inédito orientando cardiologistas a integrar a imunização ao mesmo patamar de importância que o controle da pressão arterial e do colesterol. Essa discussão foi igualmente um destaque no Congresso Internacional de Cardiologia da Rede D’Or. O médico André Casarsa, cardiologista do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG/UniRio) e da Rede D’or, explica: "Hoje, o médico entende que, juntamente à prescrição de atividade física, hábitos alimentares, controle de estresse e medicação, deve prescrever adequadamente a vacinação para os grupos com risco de doenças cardiovasculares."

      Proteger contra infecções significa também reduzir a probabilidade de que estas desencadeiem complicações no coração ou nos vasos sanguíneos, fundamentando a nova abordagem.

      Desmistificando Alegações Online

      Embora a comunidade médica consolide a ideia da necessidade das vacinas para a saúde cardíaca, conteúdos disseminados em redes sociais frequentemente afirmam, erroneamente, que elas aumentam o risco de infartos e outros problemas. A ciência, contudo, oferece um panorama distinto.

      Como Infecções Afetam o Coração

      Durante infecções importantes, como a gripe, o corpo entra em estado de alerta. Há um aumento da inflamação, a frequência cardíaca pode subir, a demanda por oxigênio cresce e o sistema de coagulação sofre alterações.

      Para indivíduos com doença cardiovascular preexistente, essa combinação atua como um gatilho para eventos agudos. Uma placa de gordura nas artérias pode se romper, formando um coágulo que interrompe o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco, resultando em um infarto. A infecção não "causa" diretamente o infarto em todos, mas cria condições propícias para um coração já vulnerável perder o equilíbrio, e é aqui que a vacinação se torna vital.

      Vacinação: Uma Estratégia Cardioprotetora

      André Casarsa resume: "Ao contrário do que alguns pregam, a vacinação é cardioprotetora." Pacientes com comorbidades como hipertensão arterial, doença coronariana, arritmias, diabetes ou outros fatores de risco para infartos e derrames são os que mais se beneficiam dessa proteção. "Vacinar as pessoas, principalmente aquelas com mais de 50 anos ou doenças cardíacas prévias, faz toda a diferença para evitar eventos graves e salvar vidas", complementa o cardiologista.

      Diante desse novo paradigma, o ACC delineou as rotinas de imunização recomendadas para adultos que buscam maior proteção cardiovascular, fundamentadas em evidências.

      Vacinas Essenciais para a Proteção Cardíaca

      Gripe (Influenza)

      Poucos sabem que contrair uma gripe forte aumenta em seis vezes o risco de um infarto agudo do miocárdio na primeira semana da infecção. Indivíduos com doenças cardíacas preexistentes correm um risco ainda maior de complicações, incluindo infecções secundárias e insuficiência cardíaca.

      As evidências científicas são robustas. Uma meta-análise de seis ensaios clínicos randomizados, envolvendo 6,7 mil pessoas, comparou a vacinação contra influenza com placebo ou ausência de vacinação. Em um acompanhamento médio de 7,9 meses, os vacinados apresentaram 36% menos risco de eventos como morte cardiovascular, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

      As indicações para a vacina da gripe são:

      – Adultos de 18 a 64 anos: dose padrão anual.

      – Adultos com 65 anos ou mais: preferencialmente a vacina de alta dose (high-dose), recombinante ou com adjuvante, que promove uma resposta imune mais reforçada.

      Pneumococo

      A bactéria pneumocócica é responsável por milhares de internações anualmente, e os grupos com problemas de saúde preexistentes são os mais vulneráveis. Pesquisas indicam que aproximadamente 90% dos adultos hospitalizados por pneumonia pneumocócica ou infecções invasivas (como meningite e pericardite) já possuem alguma doença crônica subjacente, o que eleva significativamente a taxa de mortalidade nesses casos.

      Fonte: https://saude.abril.com.br

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