• UE defende soberania digital e amplia cooperação tecnológica com o Brasil

      Em meio à crescente disputa global por tecnologia, dados e inteligência artificial, o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, defendeu nesta segunda-feira (22) que países e blocos econômicos ampliem sua autonomia tecnológica para reduzir vulnerabilidades e fortalecer sua competitividade.

      A declaração foi feita durante a abertura do Future Affairs Forum, realizado no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, evento que reúne especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para debater os impactos das transformações tecnológicas, climáticas e geopolíticas.

      Segundo Síkela, a infraestrutura digital passou a ocupar um papel estratégico semelhante ao de outros ativos considerados essenciais para a segurança e o desenvolvimento econômico.

      “O mundo digital segue a mesma lógica da geopolítica. Dependência gera vulnerabilidade”, afirmou.

      O comissário destacou a Parceria Digital firmada entre a União Europeia e o Brasil, voltada à cooperação em áreas como inteligência artificial, conectividade, pesquisa científica e governança digital.

      Ele também citou os investimentos do programa europeu Global Gateway, iniciativa destinada a ampliar a infraestrutura digital e fortalecer conexões com países parceiros.

      Para Síkela, ampliar a soberania tecnológica não significa fechar mercados ou restringir a cooperação internacional.

      “A soberania tecnológica não significa isolamento. Significa desenvolver capacidades próprias ao mesmo tempo em que construímos parcerias baseadas na confiança e em benefícios mútuos”, disse.

      O debate também abordou os desafios éticos e sociais trazidos pela expansão da inteligência artificial. A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, alertou para a necessidade de colocar os direitos humanos no centro do desenvolvimento tecnológico.

      “Nenhuma tecnologia é completamente neutra. A inteligência artificial é construída por pessoas, treinada com dados produzidos por pessoas e orientada por escolhas humanas”, afirmou.

      Representando o governo brasileiro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, defendeu a criação de mecanismos multilaterais para regular o avanço da inteligência artificial e associou a inovação tecnológica à promoção da inclusão social.

      “O futuro começa hoje. O futuro começa agora. O futuro é construído pelas escolhas que fazemos no presente”, declarou.

      O ministro também apontou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo da importância da cooperação internacional diante das transformações econômicas e tecnológicas em curso.

      A aplicação prática dessas discussões foi apresentada pela subsecretária de Transformação Digital e Cidade Inteligente da Prefeitura do Rio, Raquel Flexa.

      Durante o evento, ela mostrou iniciativas que utilizam inteligência artificial e integração de dados para aprimorar serviços públicos e ampliar o alcance de políticas sociais na capital fluminense.

      Organizado pela Delegação da União Europeia no Brasil em parceria com o Museu do Amanhã, o Future Affairs Forum segue até esta terça-feira (23). A programação inclui debates sobre cidades inteligentes, democracia digital, sustentabilidade e os desafios dos futuros urbanos.

      Entre os participantes confirmados estão a urbanista Raquel Rolnik, o pesquisador Carlos Moreno, a especialista em inovação Francesca Bria e lideranças indígenas, que discutirão temas ligados à cultura, participação cidadã e modelos de desenvolvimento mais inclusivos.

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