José Mourinho chegou à sua primeira coletiva de imprensa no Real Madrid com três minutos de antecedência nesta sexta-feira (21), mas a mensagem foi deliberada: o comprometimento é inegociável, a competição é inevitável e a frustração com as decisões de escalação não será tolerada.
Três dias após sua apresentação oficial a portas fechadas, Mourinho falou à imprensa no centro de treinamento do Real, em Valdebebas, antes da estreia em LaLiga no sábado (22) contra o Espanyol, falando por mais de 40 minutos em um tom notadamente ponderado.
Embora o Real inicie a temporada após duas campanhas consecutivas sem títulos e com a pressão aumentando sobre o presidente Florentino Pérez, que garantiu recentemente sua reeleição, Mourinho rejeitou a ideia de que o clube estivesse tomado pela ansiedade.
Em vez disso, ele afirmou que o clima era de expectativa.
“Estamos cansados de jogar amistosos. Não amamos o futebol por causa de amistosos, estamos todos ansiosos para voltar logo ao futebol competitivo”, disse Mourinho.
“Eu não diria que o sentimento aqui é de pressão… É mais como adrenalina. O que é positivo, aquele estímulo. Não sinto pressão. Porque tenho muita confiança no trabalho que realizamos e na fome e no comprometimento dos jogadores.”
Responsabilidade coletiva
Mourinho enfatizou repetidamente a importância da responsabilidade coletiva em um elenco repleto de talentos de elite, deixando claro que as ambições individuais devem ficar em segundo plano em relação à equipe.
“O que precisamos é não negociar coisas que são inegociáveis. O comprometimento é obrigatório”, disse ele.
“A equipe deve vir antes dos sentimentos pessoais. Amanhã será a primeira vez que os jogadores terão de lidar com isso. Não posso começar uma partida com 15 jogadores. Não quero decisões fáceis, como deixar no banco um jogador que ficou frustrado por não ter jogado o que esperava. Quero tomar decisões difíceis, quero jogadores que não caiam na armadilha da frustração. Quero jogadores que trabalhem mais para conquistar uma vaga no time.”
Mourinho também abordou o desafio de acomodar Kylian Mbappé, Jude Bellingham e Vinicius Júnior no mesmo time, mantendo o equilíbrio.
“Não acho que essas posições sejam incompatíveis. É óbvio que não posso montar o time em torno de cada um deles, como o Brasil faz com Vini, a França com Mbappé e a Inglaterra com Bellingham. É mais difícil para mim encontrar espaço para os três, mas é essa a situação em que estamos.”
Começando do zero
Mourinho disse também que deixou para trás a briga no vestiário entre Aurélien Tchouaméni e Federico Valverde, ocorrida no fim da temporada passada, afirmando que ambos os jogadores o convenceram de que não havia necessidade de conversas para selar a paz.
“Decidi começar do zero com eles”, disse Mourinho.
“Desde que Tchouaméni chegou, tenho acompanhado tudo de perto e não senti necessidade de dizer nada. Observei à distância e só vi total normalidade. O que vi foi paz, amizade, companheirismo. Como se nada tivesse acontecido.”






