• Para diretor criativo da Pixar, magia do entretenimento não exige telas

      Em um mundo cada vez mais mediado por telas, a Pixar aposta em uma experiência que propõe justamente o contrário: deixar o celular de lado. É assim que Jay Ward, diretor criativo de franquias do estúdio, definiu um dos aspectos que considera mais interessantes do “Mundo Pixar”, exposição que leva cenários e personagens das animações para o espaço físico.

      “É muito bom ver que as pessoas não precisam ficar presas ao celular para aproveitar a experiência da Pixar. Pais e filhos podem ir juntos. Você não precisa ficar com o celular ou o iPad na mão, pode guardá-los. Claro, pode até tirar uma selfie, mas não precisa do telefone para curtir a Pixar. Acho que o mundo já tem coisas digitais demais”, afirmou Ward em entrevista à CNN Brasil durante a D23.

      Para o executivo, a experiência também recupera uma característica fundamental do entretenimento: a possibilidade de imaginar outros mundos.

      “Essa experiência é fantástica porque resgata a verdadeira essência do entretenimento: entrar em um mundo que não existe. Entro em um mundo onde quero estar, sem precisar de celular, computador ou tablet para isso”, disse.

      O posicionamento de Ward conversa diretamente com o mais recente filme da Pixar, “Toy Story 5”. Na animação, Bonnie começa a se sentir deslocada por ainda preferir os brinquedos, enquanto outras crianças estão interessadas em tablets. Ela pede aos pais uma Lilypad, dispositivo que acaba colocando os brinquedos de Andy diante de um novo desafio.

      “Adoro aquela mensagem, que vale tanto para nós quanto para as crianças, sobre como servimos de exemplo para o comportamento delas. Mandamos nossos filhos largarem o iPad enquanto nós mesmos estamos sentados usando o nosso”, afirmou.

      Do Brasil para o mundo

      O “Mundo Pixar” estreou em 2022, em São Paulo, como uma exposição que reúne cenários inspirados nos filmes do estúdio, além de personagens e elementos audiovisuais. Desde então, passou por outras cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Fortaleza, e também chegou a mercados na Europa e na Ásia. Nos Estados Unidos, a exposição está prevista para lançar em 2027.

      A escolha do Brasil para a primeira edição da mostra foi motivada pela relação dos fãs brasileiros com as produções do estúdio. “Tenho que dar crédito à nossa equipe, porque eles vieram até mim e disseram: ‘O Brasil realmente adora os filmes da Pixar’. Os fãs brasileiros são muito apaixonados pela Pixar, mas não havia nada aqui para eles. Eles não têm um parque da Disney e disseram: ‘Queremos levar esse amor pela Pixar ao Brasil’”, contou.

      À CNN Brasil, Ward falou sobre expansão internacional da exposição e sobre a decisão de manter o nome “Mundo Pixar”, em português, em outros países.

      “Houve um certo zelo em manter ‘Mundo Pixar’, porque, para nós, sempre foi ‘Mundo’. Nós sabemos o que significa, mas havia uma preocupação. Quando fomos para a Inglaterra, que foi o primeiro mercado de língua inglesa em que atuamos, perguntaram: ‘Será que vão entender ‘Mundo’?’ Então decidimos deixar as pessoas ouvirem o nome e ver se fazia sentido para elas. Disseram: ‘Não importa o que significa, é um nome legal’. Para nós, foi muito especial poder manter o nome; chama-se ‘Mundo’ onde quer que você vá no mundo”, explicou.

      Para o executivo, essa capacidade de criar mundos e personagens que ultrapassam a tela é parte da identidade do estúdio. O desafio, segundo ele, é encontrar novas formas de fazer o público se conectar com esses e novos universos — seja no cinema, seja em experiências presenciais como a exposição.

      A jornalista Marina Toledo viajou a Anaheim (EUA) a convite da Disney

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