A rainha Camilla se tornou alvo de debates nas redes sociais após divulgar uma foto ao lado da escritora J.K. Rowling durante um encontro realizado no Palácio de Holyroodhouse, na Escócia.
A publicação foi feita nesta terça-feira (30.06) e destacou a visita da autora de Harry Potter, de 60 anos, ao palácio em uma ação ligada às iniciativas da rainha, de 78 anos, voltadas ao incentivo da leitura infantil e ao acesso de crianças a livros.
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Segundo a mensagem oficial divulgada junto à imagem: “Com uma paixão compartilhada por livros e um profundo compromisso com o prazer da leitura entre as crianças, a Rainha e a autora J.K. Rowling se encontraram no Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo”, dizia a publicação. “Sua Majestade e a Sra. Rowling discutiram a importância de garantir que os jovens tenham acesso a livros e o papel fundamental que a leitura desempenha na abertura de portas para as futuras gerações.”
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Apesar do caráter cultural do encontro, a repercussão acabou sendo marcada por controvérsia, já que a publicação ocorreu no encerramento do Mês do Orgulho LGBTQIA+ e Rowling é alvo recorrente de críticas por declarações consideradas ofensivas à comunidade transgênero.
Ao longo dos últimos anos, a autora britânica tem sido classificada por críticos como “feminista radical trans-excludente”, termo conhecido pela sigla TERF. Rowling, no entanto, nega as acusações e afirma que suas posições são baseadas em uma perspectiva feminista.
Em um de seus textos publicados em seu site, ela escreveu: “Recuso-me a curvar-me a um movimento que acredito estar causando danos demonstráveis ao tentar corroer a ‘mulher’ como classe política e biológica e ao oferecer cobertura a predadores como poucos antes dele”, escreveu ela em um longo ensaio em seu site.
A autora também afirmou que busca segurança tanto para mulheres trans quanto para mulheres cisgênero, acrescentando:
“Então, quero que as mulheres trans estejam seguras. Ao mesmo tempo, não quero que as meninas e mulheres cis se sintam menos seguras”, continuou ela, afirmando ser sobrevivente de agressão sexual e violência doméstica. “Quando você abre as portas de banheiros e vestiários para qualquer homem que acredite ou sinta que é uma mulher… então você abre a porta para todos os homens que desejam entrar.”
Rowling também já se envolveu em críticas a figuras políticas britânicas, incluindo declarações direcionadas ao ex-primeiro-ministro Keir Starmer em relação a nomeações ligadas a pautas de gênero.
“Bravo, @Keir_Starmer, por contratar um Conselheiro para Assuntos de Mulheres e Meninas que acredita que a definição de mulheres e meninas inclui homens e meninos”, escreveu o autor no X. “Isso definitivamente reconquistará as pessoas que acreditam que o Partido Trabalhista é um partido para elitistas culturais arrogantes, que usam crachás e defendem o luxo.”
As posições públicas da escritora têm gerado debates contínuos e impactado a forma como parte do público e da indústria cultural enxerga o legado da franquia Harry Potter. Entre os atores da saga, Daniel Radcliffe já comentou publicamente o assunto ao falar sobre sua relação com a autora.
“No fim das contas, isso me deixa muito triste, porque quando penso na pessoa que conheci, nos momentos que passamos juntos, nos livros que ela escreveu e no mundo que ela criou, tudo isso me inspira muita empatia”, disse Radcliffe em uma entrevista de 2024.
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Ele também acrescentou: “Jo, obviamente Harry Potter não teria acontecido sem ela, então provavelmente nada na minha vida teria acontecido da maneira que aconteceu sem essa pessoa”, acrescentou. “Mas isso não significa que você deva aquilo em que realmente acredita a outra pessoa pelo resto da vida.”
Já Emma Watson também comentou o tema em entrevista recente, afirmando que valoriza suas experiências pessoais com Rowling, apesar das divergências.
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“Eu realmente não acredito que, por ter tido essa experiência e por nutrir o amor, o apoio e as opiniões que tenho, isso signifique que eu não possa e não valorize Jo e a pessoa com quem tive experiências pessoais”, disse Watson.
A atriz ainda completou: “Vejo um mundo onde parece que estamos dando permissão para descartar pessoas, ou para que as pessoas sejam consideradas descartáveis. Sempre acharei isso errado. Acredito que ninguém é descartável.”
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