• John Galliano será o tema da próxima exposição do Costume Institute


      Anunciada na sexta-feira (31.07), John Galliano: Horizontes, a exposição da primavera (no hemisfério Norte) de 2027 no Costume Institute examinará e exaltará a obra do artista. Na história do Met, apenas dois outros estilistas vivos foram tema de monografias. O primeiro foi Yves Saint Laurent, em 1983, com curadoria de Diana Vreeland; e o segundo foi Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, em 2017.

      Galliano é amplamente considerado um dos grandes nomes da moda desde sua coleção de formatura na Central Saint Martins, Les Incroyables, em 1984. Com uma exuberante pastiche de trajes históricos do início do século XVIII com suas próprias tendências New Romantic, a coleção foi adquirida integralmente pela loja de departamentos britânica Browns. Horizontes, organizada pelo curador-chefe do Costume Institute, Andrew Bolton, baseia-se extensamente em seu próprio acervo considerável, incluindo peças daquele desfile que marcou época. As outras peças de vestuário, acessórios, esboços, protótipos, cadernos de pesquisa e materiais de arquivo da exposição abrangem seus anos como um jovem talento londrino audacioso e enfant terrible, quando extraía magia a partir de meros retalhos; sua passagem marcante pela Givenchy; seu sucesso fenomenal e, posteriormente, sua dramática queda na Christian Dior; e sua genial reinvenção da Maison Margiela, na qual, como disse seu sucessor Glenn Martens, “ele realmente transformou a marca de um designer em uma casa”, e, com sua última e triunfante coleção Artisanal para a grife, um fenômeno viral.

      “Cada coleção de Galliano começa como uma jornada entre coisas separadas pelo tempo, lugar ou meio: retrato e postura, silhueta e história, memória e material, disse Bolton em um comunicado. “‘Horizontes‘ aborda a moda como uma forma de cartografia, mapeando não territórios, mas afinidades, tensões e transformações. Ela traça como as imagens se tornam ideias, as ideias se tornam material e o material se torna emoção. No entanto, um horizonte revela não apenas o que está diante de nós”, continuou Bolton, “mas também onde nos encontramos. A exposição, portanto, considera tanto como Galliano remapeou o mundo através da moda quanto como sua conduta, suas consequências e a mudança dos valores culturais remodelaram nossa compreensão de sua obra.”

      De fato, apesar de seu gênio criativo, nem sempre foi garantido que Galliano receberia o tratamento do Costume Institute. Em 2011, ele foi preso e posteriormente demitido do cargo de diretor criativo da Christian Dior por fazer comentários antissemitas em um bar parisiense. Exilado criativamente, passou um tempo em reabilitação, ressurgindo em seguida na Maison Margiela, onde reconstruiu sua reputação, coleção após coleção.

      “Não há ninguém mais merecedor de uma exposição desta magnitude do que John Galliano“, disse Anna Wintour, Diretora de Conteúdo da Condé Nast e Diretora Editorial Global da Vogue. “Seu trabalho — na Dior, Givenchy, Margiela, sua marca homônima e outras — combina erudição e criatividade, escuridão e luz, passado, presente e futuro, tudo se fundindo de forma brilhante.” Wintour continuou: “Ele é um grande estilista e sua carreira não se define por um único momento — algo com que ele conviverá pelo resto da vida. A exposição não se esquivará de nenhum aspecto sombrio do passado de John. Faz parte do que o moldou. A mostra abrangerá toda a trajetória de sua carreira e abordará todos os seus aspectos.”

      A exposição coroará o grande ano de Galliano. Em janeiro, em um leilão de “obras-primas da Dior” pertencente a Mouna Al Ayoub, que bateu recordes para uma venda de alta-costura, um vestido pintado de seda da coleção de primavera/verão de 2000 foi vendido por €510.000, seguido por um vestido de noite de tafetá preto da mesma temporada, que foi vendido por €420.000.

      “John Galliano exerceu uma profunda influência na moda nas últimas quatro décadas”, disse Max Hollein, diretor e CEO do Metropolitan Museum of Art. Mas talvez essa influência esteja apenas começando: em setembro, o mestre da alta-costura assumirá o papel de “estilista do povo”. É quando o primeiro lançamento de seu projeto de dois anos com a varejista espanhola Zara, que ele descreveu como uma “releitura” dos arquivos da mega marca, chegará às lojas.



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