Ela é quase real, quase do imaginário. O alter ego que Marc Andrade construiu para a sua nova coleção não tem um nome definido, mas tem vida. É uma mulher que cria enredos para a própria existência, que transforma detalhes cotidianos em momentos, que vive como se a vida fosse, de alguma forma, um sonho.
Nascido em Taquaritinga do Norte, no interior de Pernambuco, Marc chegou à moda de forma autodidata, costurando para artistas do circuito local desde os 13 anos. Hoje radicado em São Paulo, desenvolve cada peça de forma integral, da concepção à modelagem, até o ponto final da costura.
O universo marinho atravessa toda a coleção com conchas, tubarões e elementos das águas, que dividem espaço com o couro de pirarucu, peixe de água doce símbolo dos rios brasileiros. Os bordados manuais, feitos por mulheres nordestinas reunidas ao longo de anos de trabalho compartilhado, desenham constelações, escorpiões e formas fluídas. Entre as peças que mais impactaram na passarela, um vestido longo construído em rede de conchas trouxe um elemento que vai além do visual: a cada passo da modelo, o barulho das conchas criava um som que remetia ao mar.
Plumas de avestruz, rabos de galo e rendas completam uma mulher que, segundo Marc, é “mais sexy e mais livre”, já que é alguém que usa a roupa para criar o próprio momento, e não por nenhum motivo além de se sentir bonita e sensual.
A peça que, para o designer, resume a coleção inteira é um vestido longo de manga comprida em patchwork de renda chantilly preta sobre base nude, que cria uma textura capaz de desenhar o corpo e que, em movimento, parece quase se dissolver na passarela. “Ele é simples de ver, mas é um patchwork inteiro pregueado à mão”, explica.
Essa mesma coleção segue para o Runway Vision em Paris, durante a Paris Fashion Week. Lá, Marc promete um elemento surpresa que aprofunda o diálogo com o contexto parisiense. “A gente vai ter um look surpresa lá, que conversa com a história da coleção e também com a cidade”, adianta, sem revelar mais.









