• “Só encontrei o vocabulário para isso”


      Sam Smith afirmou que sua identificação como pessoa não-binária sempre fez parte de quem é, mas que levou alguns anos para encontrar as palavras que definissem essa experiência.

      Em entrevista ao apresentador Zane Lowe, da Apple Music, divulgada na quarta-feira (19.08) o cantor de “I’m Not the Only One”, de 34 anos, falou abertamente sobre sua trajetória pessoal e profissional. Smith também contou como os trabalhos lançados depois de seu primeiro álbum, In the Lonely Hour, de 2014, foram importantes para compreender melhor sua própria identidade.

      “Eu fui uma das primeiras pessoas queer a se assumir desde o início da minha carreira”, disse Smith. Segundo o artista, os discos que vieram depois de sua estreia, que trouxe o sucesso “Stay with Me”, representaram “um processo de recuperação, uma tentativa de descobrir quem eu era e o que eu deveria dizer”.

      Sam Smith — Foto: Getty Images
      Sam Smith — Foto: Getty Images

      Smith também relembrou as dificuldades enfrentadas após alcançar a fama ainda muito jovem. Depois do sucesso de In the Lonely Hour, o cantor precisou aprender a lidar com a exposição e as expectativas que vieram com a carreira internacional.

      Foi uma luta “lidar com as pressões da indústria, que são enormes, e tentar lidar com isso. E também tentar agradar o público e lidar com a mudança de vida que vem com a fama aos 21 anos.”

      Em 2019, aos 27 anos, Smith se assumiu publicamente como não-binário e passou a utilizar os pronomes eles/elas. Durante a conversa com Lowe, porém, explicou que sua identidade já estava presente muito antes de conseguir defini-la.

      “Desde ‘ In the Lonely Hour’ , eu sempre fui não-binário. Sempre foi quem eu sou.” Eles continuaram: “Eu só encontrei o vocabulário para isso quando tinha uns 27 anos. Então essa foi mais uma experiência de aceitação. E finalmente, aqui estamos – e eu saí do armário de vez”, acrescentou Smith com uma risadinha.

      Sam Smith — Foto: Getty Images
      Sam Smith — Foto: Getty Images

      A partir desse processo, o cantor afirmou sentir que não precisa mais passar repetidamente pela experiência de se assumir. “Não preciso mais me assumir, o que é realmente libertador”, continuaram.

      Essa nova perspectiva também aparece no trabalho mais recente de Smith. Ao falar sobre o álbum Hazel Eyes, o artista explicou que o projeto foi construído a partir de um sentimento positivo. “É um disco feito com amor. Há amor presente em toda a obra.”

      O noivo, Christian Cowan, também ocupa um espaço importante nesse momento da vida de Smith. Ainda assim, o cantor destacou que uma das principais influências para o projeto veio do músico e colaborador Simon Aldred.

      Christian Cowan e Sam Smith — Foto: GettyImages
      Christian Cowan e Sam Smith — Foto: GettyImages

      Smith chamou Aldred de “o primeiro homem gay que conheci na indústria da música, aos 20 anos de idade”.

      A parceria também permitiu que o artista deixasse de lado algumas das expectativas que acompanharam sua carreira e se concentrasse mais na própria expressão musical.

      “Foi ótimo poder me desligar um pouco das regras e simplesmente cantar com toda a minha alma”, disse Smith. “Foi canto livre o tempo todo.”

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