É de se imaginar que não seja fácil para Venus Williams escolher uma lembrança favorita dentre suas muitas participações triunfantes em Wimbledon. Talvez a primeira vez que ergueu o troféu de simples feminino em 2000, tornando-se a primeira mulher negra a fazê-lo desde Althea Gibson, quase meio século antes? Ou a conquista de seu sexto título de duplas em 2016, se consagrando como a metade de uma das duplas mais dominantes da história do tênis com sua irmã, Serena?
No fim, ela opta pelo torneio de 2007: “Passei grande parte da minha carreira defendendo a igualdade na distribuição de prêmios entre homens e mulheres, e depois de vencer o campeonato de simples feminino naquele ano, me tornei a primeira mulher a receber o mesmo prêmio em dinheiro que os homens no campeonato”, diz Venus, que revela também se lembrar com carinho do encontro com a falecida rainha em Wimbledon. “Fazer parte daquele momento histórico é algo que me orgulho muito, e toda vez que volto aqui, me lembro de como foi significativo”.
O torneio de 2026 marca o início de mais um capítulo na extraordinária história de Venus em Wimbledon: ela e Serena competirão juntas nas duplas femininas após receberem um convite especial. “Nós duas temos muita história aqui, tanto juntas quanto separadamente, e competir lado a lado depois de uma década é um momento de encerramento de ciclo que ambas guardarão com carinho”, diz ela. “Me sinto grata e maravilhada por este momento ter chegado e muito feliz em compartilhá-lo com o mundo”.
A vida de Venus está bem diferente desde a última vez que ela e sua irmã triunfaram juntas no All England Club. De lá para cá, ela se casou com Andrea Preti, no final do ano passado, depois de se conhecerem em um desfile da Gucci durante a semana de moda de Milão. A cerimônia aconteceu em Palm Beach e a tenista usou um vestido de renda de Georges Hobeika (“o dia mais feliz, bonito e doce”, disse ela à edição britânica da Vogue na época). Agora, seu marido italiano estará torcendo por ela nas arquibancadas.
A preparação da atleta de 43 anos para o Grand Slam também mudou ao longo do tempo, embora qualquer adversária que suspeite que Venus tenha diminuído o ritmo esteja redondamente enganada. “Treino com afinco e ainda mais pesado!”, declara. “Não consigo me impedir de passar mais tempo na quadra para aperfeiçoar minhas jogadas. Meu corpo aguenta, mas a maior mudança que fiz foi parar de correr fora da quadra. Só uso elíptico, bicicleta ergométrica e faço exercícios pliométricos leves para reduzir o impacto nos joelhos”.
Sem dúvida, Venus, que se formou em design de moda em 2007, dirige sua própria marca de roupas, a EleVen, e foi coanfitriã do Met Gala 2026, também abordará seu uniforme com o cuidado e a atenção aos detalhes de sempre. Muito antes de Naomi Osaka chegar às quadras com vestidos cravejados de joias, ou de Coco Gauff colaborar com a New Balance e a Miu Miu, Venus já quebrava barreiras na moda e no esporte como uma estrela em ascensão do tênis. “Tudo se resume à expressão pessoal e também a me sentir bem com o que estou vestindo”, diz a tenista, que ficou famosa combinando suas tranças com miçangas com vestidos coloridos de cortes vanguardistas. “Como me sinto na quadra está diretamente relacionado ao meu desempenho, então me sentir bem com o que estou vestindo é sempre a prioridade. Uso peças que me dão confiança e me permitem me mover livremente. Todo o resto é apenas uma maneira de adicionar minha personalidade”.
Fora das quadras, isso pode significar Dior ou Givenchy. “Estou adorando o que Jonathan Anderson está fazendo na Dior”, diz Venus, “e acabei de comprar algumas saias lápis da Givenchy. Sarah [Burton] está arrasando lá! Também estou de olho em um par de scarpins da Loewe…”
Por enquanto, porém, os saltos altos terão que esperar, enquanto Venus calça seus tênis Lacoste e mira seu sétimo título de duplas em Wimbledon com Serena. Pergunto a ela o que acha que as irmãs Williams de 2016 diriam se ela pudesse lhes contar que voltariam a competir em 2026. “Elas diriam: ‘Vocês ainda mandam bem!'”.









