O ator e músico Lúcio Mauro Filho, de 52 anos, revelou publicamente o diagnóstico e tratamento de um câncer de intestino durante a pandemia. A descoberta ocorreu após um check-up de rotina, que se tornou necessário devido a um quadro grave de covid-19. Segundo o artista, a doença foi identificada enquanto ele investigava possíveis complicações da infecção viral, como risco de trombose ou AVC, após desenvolver síndrome do pânico.
A Doença e Sua Incidência
O câncer colorretal, ou de intestino, é o terceiro tipo de tumor mais frequente e a segunda principal causa de mortes por câncer no mundo. Ele se manifesta no cólon (intestino grosso) e no reto, a porção final do sistema digestivo. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 45.630 novos casos anualmente no Brasil, com uma distribuição quase equitativa entre homens e mulheres.
Preocupantemente, a incidência da doença tem aumentado significativamente em pessoas jovens. Um estudo publicado na revista BMJ Oncology analisou a população inglesa entre 2001 e 2019, mostrando um crescimento médio anual de 1% a 4% em 11 tipos de câncer em adultos com menos de 50 anos, sendo o câncer colorretal o que apresentou o maior aumento proporcional. No Brasil, dados do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) registraram um aumento de 80% nos diagnósticos entre 2015 e 2023, conforme atendimentos de planos de saúde.
Fatores por Trás do Crescimento dos Casos
A principal causa do câncer de intestino são alterações genéticas nas células da parede intestinal, muitas vezes originadas de pólipos benignos. Contudo, evidências crescentes apontam que hábitos de vida modernos influenciam diretamente o surgimento da doença e, consequentemente, o aumento dos casos.
Mudanças na alimentação, com maior consumo de ultraprocessados e baixa ingestão de fibras, além da crescente prevalência de obesidade e sedentarismo, são fatores-chave. Outros riscos incluem consumo de álcool, tabagismo, dietas ricas em carnes vermelhas e a presença de doenças inflamatórias intestinais. Pesquisadores estão empenhados em identificar a combinação exata desses fatores para otimizar estratégias de prevenção, como em um projeto britânico que compara amostras de DNA de pacientes de diferentes épocas.
Importância do Diagnóstico Precoce e Rastreamento
O câncer colorretal pode se desenvolver silenciosamente, sem apresentar sintomas iniciais. Quando surgem, os sinais mais comuns incluem alterações persistentes no hábito intestinal (diarreia ou prisão de ventre), mudanças no formato ou frequência das fezes, presença de sangue, dor ou desconforto abdominal, perda de peso inexplicável, cansaço e fraqueza associados à anemia.
É crucial investigar esses sintomas, especialmente se persistirem ou ocorrerem em pessoas com fatores de risco, pois eles não indicam necessariamente câncer, mas demandam atenção médica. A identificação precoce da doença é vital, pois aumenta consideravelmente as chances de sucesso no tratamento. Em alguns casos, lesões pré-cancerosas como pólipos podem ser removidas antes de evoluírem para um tumor maligno.
Por essa razão, o rastreamento é fundamental mesmo para indivíduos assintomáticos, como no caso de Lúcio Mauro Filho. A colonoscopia é um exame essencial que permite a visualização do interior do reto e do intestino grosso. Durante o procedimento, é possível remover pólipos ou coletar amostras para biópsia, facilitando a detecção e intervenção precoces.
Fonte: https://saude.abril.com.br









