Cinco horas na posição de prancha abdominal. Cinco horas! Esse foi o tempo absurdo que a canadense Donna Jean Wilde, de 61 anos, marcou no dia 6 de outubro, durante os Huntsman World Senior Games, realizado em Utah, nos Estados Unidos. Detalhe, ela superou a própria marca mundial.
Isso me faz pensar em como ainda associamos o envelhecimento a uma lista de coisas que supostamente deixam de ser possíveis. A partir de determinada idade, parece que precisamos justificar a vontade de experimentar, competir, aprender ou fazer alguma coisa pela primeira vez. Como se o tempo limitasse nossas conquistas
A realidade que a gente vive hoje, com essa chamada “nova longevidade”, propõe justamente outra perspectiva. Viver mais também significa repensar o que queremos fazer com os anos que temos pela frente, cuidando da saúde e preservando força, mobilidade e autonomia. Uma ressalva aqui: isso não quer dizer que todo mundo precisa correr maratonas ou buscar recordes mundiais. O que o feito de Donna Jean provoca, pelo menos em mim, é olhar para a vida e ver que ainda há muitas possibilidades.
Avó de 12 netos e professora aposentada, Donna começou a praticar prancha há cerca de 12 anos, depois de fraturar o pulso e precisar interromper outras atividades físicas. O exercício, que encontrou como alternativa naquele período, virou hábito. Em março de 2024, aos 58 anos, ela já havia conquistado o recorde feminino da modalidade, com quatro horas, 30 minutos e 11 segundos. Agora, foi além: completou cinco horas. Acha que ela se deu por satisfeita? Na manhã seguinte, participou de uma corrida de 3 mil metros nos mesmos jogos.
Aos 61 anos, essa canadense mostrou que o limite mora na cabeça, nos preconceitos. E que envelhecer, hoje, vem cheio de possibilidades. Uma delas, por exemplo, é continuar treinando para bater recordes. Seja de prancha abdominal, número de viagens, casamentos….O que cada uma de nós quiser e se propor a fazer.









